A caminho de Amikejo

Escrito por em Aug 12, 2013 em rafael | 265 comentários

Kelmis, na Bélgica, é uma cidade que durante alguns anos se chamou Amikejo. Neste local existiu, por allguns anos, um país que tinha o esperanto como sua língua oficial. Isso só foi possível por causa de uma antiga disputa de fronteiras que resultou na criação de um território neutro, Neutral Morasnet, mas bandidos e contrabandistas estavam se aproveitando dele para fugir, se esconder ou armazenar contrabando. Esperantistas se aproveitaram disso para propor a criação de um país esperantista no território neutro, mas o Estado esperantista não durou muito tempo e o território foi dividido entre Holanda, Bélgica e Alemanha.

Esperando o trem em Liège: Manuela, Flama, eu e Chiara

Esperando o trem em Liège: Manuela, Flama, eu e Chiara

No último sábado, 10 de agosto, esperantistas vindos de diversos lugares começaram a chegar em Amikejo. Eu vim da Itália, junto com outros quatro amigos, Flama, vietnamita, Manuela e Michele, italianos, e Chiara, Cataliana (italiana que escolheu a Cataluña para ser sua nova “pátria”). Tivemos que sair cedo, pois na Europa uma viagenzinha qualquer entre cidades pequenas, como Castellaro e Kelmis, é bem cansativa, já que precisamos trocar de veículo o tempo todo.

Na véspera teve show do Kapriol’, grupo musical da Frísia (Holanda), na praça central de Castellaro. Como tudo na Itália, o show começou atrasado e terminou meia-noite, os músicos do Kapriol’, após o show, desceram do palco e dançaram com a gente uma das canções do grupo, eles iam ensinando a coreografia e fomos divididos em três grupos para cantar o mesmo refrão em tempos diferentes. Foi divertido, mas a madrugada já vinha chegando. Fui depois tentar imprimir, na recepção do congresso, sem sucesso, os bilhetes meu e da Flama para a viagem no dia seguinte. Desisti lá pelas duas da manhã e voltei para o vilarejo para arrumar minha mala. Lá pelas três horas o Richard acordou, se despediu de mim e foi embora a pé até a estação de Taggia para pegar o primeiro trem. Ele agora está na Finlândia, e nos encontraremos na próxima semana.

Katalin com seu filho e seus alunos: último jantar na Itália

Katalin com seu filho e seus alunos: último jantar na Itália

Depois de arrumar a mala e tomar banho, dormi por duas horas e segui em direção ao Golf Resort pela última vez, mas dessa vez com mala, e lá conseguimos imprimir os bilhetes antes de embarcar no ônibus que nos levou para Taggia (a Ryanair cobra muito caro para imprimir bilhetes no aeroporto, por isso a importância de imprimi-los sem custo em outro lugar). E seguimos de trem para Gênova, onde um taxista não-oficial ficou tentando nos convencer a viajar no carro dele para o aeroporto. O preço era bom, mas o carro era muito pequeno. Pegamos ônibus para o aeroporto.

O aeroporto de Gênova é pequeno e na beira do mar, talvez por isso me fez lembrar do Santos Dumond, no Rio. Eu e a Flama compramos cota de bagagem para 20 kg, e a Chiara tinha cota para 15 kg. Não sabíamos o quanto pesavam nossas malas, mas descobrimos que as pessoas estavam usando um balcão inativo da Alitália para testar o peso das bagagens e fomos lá. Estava tudo em ordem, mas na hora da pesagem no balcão da Ryanair nossas malas pesavam 300g a menos!

O vôo para Charleroi foi tranquilo, e mesmo partindo da Itália saiu no horário. No nosso destino, ao sul de Bruxelas, um cartaz com um desenho do “Cartão-Postal” da Bélgica nos dava as boas vindas: eles não têm Cristo Redentor, nem Coliseu, nem Torre Eiffel, mas uma fonte com uma estátua de um menino fazendo xixi.

Michele recebendo as boas-vindas no aeroporto em Charleroi

Michele recebendo as boas-vindas no aeroporto em Charleroi

Pegamos ônibus até a estação de trem de Charleroi, cidade muito charmosa, com bondes amarelos, e lá embarcamos para Liège, onde pegamos o trem para Werkenraedt, de onde seguimos de ônibus para Kelmis. A Bélgica é um país muito bonito, com bosques ao redor da ferrovia e muitos cavalos. No caminho para Kelmis admiramos a beleza dessa região, onde um dia tivemos um país esperantista. Chegamos na cidade e foi fácil achar o local do evento.

Matheus, adido cultural da BEJO, conversa com Lars e sua esposa.

Matheus, adido cultural da BEJO, conversa com Lars e sua esposa.

Aqui reencontrei diversos amigos que não via há muito tempo e conheci novas pessoas. Muitos brasileiros que estavam na Hungria participando do IJS agora estão aqui no FESTO, dentre eles o Matheus, adido cultural da BEJO (BEJO-Ataŝeo), que ganhou a viagem em um concurso que promovemos no ano passado e em breve estará comigo no IJK. Também reencontrei o Lars, que organizou minha viagem pela Alemanha, e o Dominique, que pedalou comigo em Hamburgo. Ambos vieram juntos de bicicleta após se encontrarem na França, em uma caravana do BEMI (Movimento Internacional de Ciclistas Esperantistas). O Matheus está se dando muito bem com o pessoal na Europa e depois do show do Kapriol’ o Lars já começou a planejar um itinerário do BEJO-Ataŝeo pela Alemanha.

O pessoal da Muzaiko que estava comigo em Reykjavik, com excessão da Veronika, está aqui também, e amanhã daremos uma oficina. O local onde acontece o FESTO é muito bacana, temos uma área verde para as pessoas acamparem, salas com camas para quem quer dormir com mais conforto, salas para palestras, filmes, etc. E um salão onde acontecem shows todas as noites.

Show do Kapriol' no FESTO.

Show do Kapriol’ no FESTO.

Na primeira noite do FESTO tivemos shows de Mikelin’ e Kapriol’ (são dois shows por noite). Dessa vez teve mais gente para dançar, estava um ambiente mais gostoso e o show durou muito mais tempo que o da Itália. Dessa vez um casal de amigos dos músicos ficou ensinando as danças para a gente. Depois teve, durante toda a madrugada, cinema, discoteca, bar e gufujo (algo como “corujódromo, numa tradução literal”), que consiste em um espaço tranquilo, a luz de velas, com mesas e cadeiras e onde se pode beber chá e comer bolo. Joguei um jogo de tabuleiro no bar enquanto tomava uma cerveja e comia alguns petiscos, depois fui para o gufujo e fiquei tomando chá e conversando com a Julia antes de ir dormir. Eu, a Julia e o Johannes organizaremos daqui a pouco uma oficina para treinar pessoas interessadas em colaborar com a Muzaiko. Ao longo da semana mando mais notícias de Amikejo.

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