ARKONES!

Escrito por em Sep 29, 2014 em rafael | 265 comentários

O Arkones – ARtaj KONfrontoj en Esperanto (Confrontos Artísticos em Esperanto), começou na sexta-feira, mesmo dia em que terminou o Simpósio de Interlinguística. Durante o dia teve uma excursão para conhecer alguns lugares da cidade, mas preferi ficar no simpósio. No horário de almoço dei uma passada no centro cultural onde acontece o Arkones, pois fica a uma quadra do prédio onde tenho aulas, e dei um oi para as pessoas que estavam lá. Não sabia quem seriam os artistas a se apresentar no Arkones, mas ao chegar deide cara com Nanne Kalma e Ankie van der Meer, ou seja, o grupo Kajto, do qual sou fã desde que me tornei esperantista.

Emblema do 30° ARKONES

Emblema do 30° ARKONES

Gente de diversos lugares vem para o Arkones, mais de cem pessoas de dezenas de países, e por isso sempre organizam alojamento para as pessoas. Eu poderia ter ficado em Jowita ao longo de toda a minha estada em Poznań, mas decidi aproveitar a ocasião e ficar no albergue junto com boa parte dos participantes do evento, e muitos dos meus colegas de curso fizeram o mesmo.

Descobri que a diária no albergue é mais barata do que em Jowita e há mais conforto em termos de banheiros e estrutura do prédio. Por outro lado, em Jowita se tem mais privacidade, há muitos armários para botar pertences pessoais e não precisa trancar, enquanto no albergue cada um tem seu armário com chave e é arriscado deixar pertences fora dele. As duas maiores diferenças para mim, contudo, são as que mais contam: internet e banheiro. Em Jowita há internet, tanto sem fio quanto via cabo, mas a autenticação na rede exige baixar um certificado de segurança, configurar um monte de coisas e ainda por cima ter uma senha individual cuja obtenção demanda um procedimento burocráico chato e complicado. Aqui é bem simples: ligar o wi-fi e colocar a senha. Em Jowita o banheiro é antigo, muito pequeno, com uns azulejos frios, bem desconfortável para tomar banho. Aqui a ducha é bem melhor, os banheiros são amplos e com um antesala para guardar a roupa e se secar ao sair do banho.

O Arkones é um evento muito interessante, combina palestras e eventos artísticos variados, tem bar vendendo comida e bebidas e espaços agradáveis para conversar. A livraria do Arkones também é legal, acabei achando um tesouro que procurava há muito tempo: um livro chamado Rimleteroj (Cartas Rimadas), compilação de poemas escritos em cartões postais trocados entre William Auld, considerado o maior escritor esperantista de todos os tempos, e Marjorie Boulton, outra grande escritora esperantista. O desafio lançado por ela e aceito por ele acabou sendo publicado, anos mais tarde, na Nica Literatura Revuo (Revista Literária de Nice), e, por fim, saiu em livro. Auld e Boulton já foram indicados ao nobel de literatura.

Apresentação musical de Bertilo e Birke

Apresentação musical de Bertilo e Birke

Na primeira noite do Arkones teve oficina de canto do Kajto, e no sábado aconteceu a Miela Vespero (Noite de Mel), quando nos ofereceram uma bebida à base de mel e bolo. Quanto aos shows, tivemos o da Szusana, esperantista daqui de Poznań, que canta e toca muito bem, de Bertilo e Birke, que se apresenta com flauta e violão, e por fim o show do Kajto.

Encontrei em Poznań várias pessoas que eu há muito tempo não via. Na primeira noite um grupo de jovens esperantistas que estava bebendo e conversando me ofereceu “o melhor vinho da Bulgária”. Não estavam falando sério, e percebi que era brincadeira, mas o negócio é muito ruim. Pode ser que na Bulgária haja vinhos melhores, mas tão cedo não me atreverei a experimentar.

Às margens do rio Warta, com Jakob, esperantista local, e Joel, esperantista sueco

Às margens do rio Warta, com Jakob, esperantista local, e Joel, esperantista sueco

No domingo tivemos programação do Arkones somente de manhã, e à tarde fui passear com outros esperantistas, cada um de um país diferente, sendo que um deles é daqui de Poznań e nos levou para conhecer lugares interessantes: fomos para o outro lado do rio Warta, visitamos a catedral, cujo altar é muito interessante por ser “feminista”,isto é,  só tem imagens de mulheres: santa Maria, santa Catarina e santa Bárbara. Depois caminhamos por um belo parque com um lago artificial construído pelos alemães durante a Segunda Guerra Mundial. Neste parque há um trenzinho para as crianças, campo de minigolfe, raias para prática de remo e até um pequeno parque de diversões com montanha russa e uma pista de esqui sobre uma lona de espuma que reproduz o efeito da neve. A comida, porém, é cara no parque, então fomos jantar em um shopping e depois voltamos de bonde até o centro da cidade. Nos despedimos e fomos dormir.

Estou em Berlim na casa de um esperantista, e em breve contarei sobre meu último dia em Poznań e a viagem de volta ao Brasil.

Comentários estão fechados.