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Minha Experiência com o Esperanto

Minha Experiência com o Esperanto

Vicente Sales

Mia Sperto per Esperanto

Vicente Sales

Quando, em outubro de 2012, decidi correr a Maratona de Berlim 2013 imediatamente resolvi fazer um upgrade no meu Inglês para entendimento e conversação. Baixei uns cursinhos baratos em mp3 na internet mas, mesmo escutando todos os dias no trajeto para o trabalho, não progredi muito. Fiz, então, orçamentos em duas escolas de Inglês mas achei muito caro. Decidi:
“Vou me virar com o meu fraco Inglês mesmo”.

Kiam, en oktobro 2012, mi decidis kuri la Berlinan Maratonon 2013, mi tuj intencis plibonigi mian konon pri la Angla lingvo por interkompreno kaj konversacio. Mi elŝutis “mp3-ajn” malmultekostajn kursetojn, sed eĉ aŭdante ĉiutage dum la vojo al laboro, mi ne progresis. Do mi faris buĝetojn pri kursoj en 2 anglaj lernejoj sed mi trovis ilin tre multekostaj. Mi decidis:

“Mi solvos la problemon je mia baza kono pri la Angla mem”.

Em fevereiro de deste ano me lembrei do Esperanto, uma língua planejada e sem irregularidades, cujas 16 regras e características lógicas eu já havia aprendido há uns 20 anos, mas nunca tinha praticado. En Februaro ĉijare, mi ekmemoris pri Esperanto: planita kaj regula lingvo, kies 16 regulojn kaj logikajn karakterizaĵojn mi lernis antaŭ 20 jaroj, sed neniam praktikis.

Procurei na internet e encontrei várias páginas sobre Esperanto com cursos gratuitos e vídeos. Baixei e comecei o curso “Kurso.exe” e ao mesmo tempo
comecei outro kurso pela internet no site:
lernu.net e assisti aos filmes “Pasporto al la tuta mondo” no Youtube (http://youtu.be/OquSnGAKYGc).

Mi serĉis kaj trovis en interreto diversajn paĝojn pri Esperanto kun senpagaj kursoj kaj videoj. Mi elŝutis kaj eklernis “Kurso.exe” kaj samtempe
eklernis per interreto alian kurson ĉe “lernu.net”. Mi ankoraŭ spektis la filmeto “Pasporto al la tuta mondo” ĉe Youtube (
http://youtu.be/OquSnGAKYGc).

Nas buscas descobri a Sociedade Mineira de Esperantistas e passei a ir a algumas aulas, não formais, aos sábados e conheci dois esperantistas, com os quais me encontro para bater papo por uma hora às quartas-feiras. Per serĉiloj mi trovis la “SEM – Societo Esperantista de Minaso” kie nuntempe mi ĉeestas neformalajn klasojn. Per SEM mi konis esperantistoj kun kiuj mi renkontas por babili dum 1 horo merkrede.

Depois de 4 meses passei a considerar o Esperanto minha segunda língua porque eu já conseguia entender textos e, principalmente, áudios em
Esperanto mais facilmente do que em Inglês. Passei a receber também ajuda de uma esperantista do programa “Mia Amiko” (
http://esperanto.brazilo.org)
que corrigia os exercícios do “Kurso.exe” pela rede.

Post 4 monatoj mi ekkonsideris la Esperanton mia dua lingvo ĉar mi jam komprenis tekstojn kaj, ĉefe, aŭdiojn pli facile ol la Angla. Mi enskribiĝis ĉe la programo “Mia Amiko” (http://esperanto.brazilo.org) kaj ekricevis helpon de esperantistino kiu korektis miajn ekzercojn de “Kurso.exe” per la reto.

Pronto, sete meses depois, já tinha terminado os meus cursos de auto-aprendizado, liguei para um esperantista alemão e conversei pela primeira vez em Esperanto, com um estrangeiro. Parecia mágica. Falei sobre a Maratona em Berlim e, através dele, recebi o convite de um esperantista Francês para um encontro com esperantistas que este promove mensalmente em Berlim.

Post 7 monatoj, mi jam finis miajn memlernajn kursojn, mi telefonis al germana esperantisto kaj mi interparolis unua foje pere de Esperanto kun eksterlandano. Tio ŝajnis magio. Mi diris al li pri la Berlina Maratono kaj, per li, mi ricevis inviton de franca esperantisto por renkonto de esperantistoj, kiu li organizas ĉiumonate en Berlino.

Em Berlim, no dia 27 de setembro, nos encontramos e conversamos na única língua possível para mim naquele momento: o Esperanto. No dia 29 participei da maratona filmando e, empolgado, registrei momentos em Português (http://youtu.be/S0ibh19DFYs)
e momentos em Esperanto (
http://youtu.be/rXpJ82Xvvvk).

En Berlino, la 27a de septembro, ni renkontiĝis kaj babilis per la sola lingvo, ebla al mi en tiu momento: la Esperanto. En la 29-an, mi partoprenis filmante  la maratonon kaj, entuziasme, mi registris kelkaj momentojn en Esperanta lingvo (http://youtu.be/rXpJ82Xvvvk) kaj kelkaj en Portugala lingvo (http://youtu.be/S0ibh19DFYs).

Na semana seguinte em Barcelona participei de outro encontro com esperantistas Catalães num bate-papo bem descontraído e natural saboreando deliciosa cerveja no estilo “Drinku kaj Lernu” (Beba e Aprenda:
http://youtu.be/HGm34Dfoc6w
).
En la sekva semajno mi partoprenis en Barcelono alia renkonton kun katalunaj esperantistoj. Tie ni babilis libere kaj nature, gustumante tre bongustan bieron laŭ la stilo “Drinku kaj Lernu” (http://youtu.be/HGm34Dfoc6w).
Durante meu aprendizado, observei que muitos esperantistas consideram o Esperanto uma língua perfeita e que a mesma não precisa mudanças. Não é o meu caso, mas nessa experiência percebi que a língua funciona perfeitamente. Dum mia lernado, mi rimarkis ke multaj Esperantistoj konsideras Esperanton perfektan lingvon kaj ke ĝi ne bezonas ŝanĝojn. Mi ne konsentas, sed en tiu sperto mi konstatis ke la lingvo perfekte funkcias.

É claro que, com tão poucos esperantistas no mundo, de maneira geral eu tive de me virar com o Inglês mesmo. Mas agora posso dizer que aprender Esperanto é tão fácil e barato que, se todas as pessoas, em qualquer canto do mundo, que não podem pagar um curso de língua estrangeira, quisessem aprender Esperanto, em muito pouco tempo o Esperanto se tornaria a língua mais falada para comunicação internacional. Essa seria uma excelente ferramenta, por exemplo, para os países do bloco econômico BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e Africa do Sul), que possuem 5 línguas diferentes, facilitarem o intercâmbio de conhecimento entre seus cidadãos, em pouco tempo e com baixo custo para todos.


Se quiser saber mais sobre o Esperanto:



http://www.esperanto.net.


Um grande abraço,


Vicente
Sales – novembro 2013


Esperanto, mia dua lingvo


(Esperanto, minha segunda língua)

 

Kompreneble ke, kun tiom malmulte da esperantistoj en la mondo, ĝenerale mi solvis miajn problemojn je la angla mem. Sed nun, mi povas diri ke, lerni Esperanton estas tiom facila kaj malmultekosta ke, se ĉiuj homoj, kie ajn en
la mondo, kiuj ne povas pagi fremdan lingvan kurson, lernus Esperanton, en tre malmulte da tempo Esperanto fariĝus la plej parolatan lingvon por internacia komunikado.
Tiu estus bonega rimedo, ekzemple, por landoj kiuj partoprenas la ekonomian blokon BRICS (Brazilo, Rusio, Hindio, Ĉinio kaj Sudafriko), kiuj havas 5 malsamajn lingvojn, faciligi la scion interŝanĝon inter ĝiaj civitanoj, dum malmulte da tempo kaj kun malalta kosto por ĉiuj.


Se vi volas scii pli pri Esperanton alklaku:



http://www.esperanto.net.


Brakumon,


Vicente
Sales – novembro 2013


Esperanto, mia dua lingvo.

 

 

 

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Esperanto na UNICAMP

Esperanto na UNICAMP

A Unicamp continua a oferecer a disciplina “Estudo da Língua Internacional Esperanto e sua Cultura”. A disciplina é formal e eletiva, contribuindo para o currículo dos alunos, mas é aberta a quaisquer participantes, que podem acompanhar as lições como ouvintes. Coordenada pelo Prof. Lunazzi, neste semestre ela também terá participação do professor convidado Guilherme Jardim, que está finalizando pós-graduação em Interliguística e Esperantologia em Poznan, na Polônia. Acontece todas as terças, no bloco básico, sala P01, das 14:00 às 16:00.

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Congresso Italiano de Esperanto

O meu curso começou na sexta-feira. Foi a única coisa que teve na sexta, já que o congresso teve início no sábado. Trata-se de um curso de capacitação de professores de esperanto, e que também pode contar créditos para eventuais cursos futuros que eu venha a fazer. Como trata-se de um curso que fornece certificado, é necessário cumprir 50 horas, e por isso fico o dia todo tendo aulas. O curso é de altíssimo nível, ministrado pela profa. Dra. Katalín Kováts, que é muito conceituada nessa área e há pelo menos uns dez anos trabalha com treinamento de professores de esperanto e aplicação de exames de proficiência em esperanto (KER-Ekzamenoj, emitidos pelo ITK, instituto húngaro que atesta proficiência em línguas, uma instituição muito conceituada em toda a Europa). Conheci a Katalín en 2011, em São Paulo, quando fiz exame de proficiência para o nível C1. No ano passado ela foi a primeira pessoa conhecida que encontrei em Hanói (sem contar as que encontrei no aeroporto ao desembarcar) e veio me parabenizar pelo meu trabalho na Rio+20.

Almoço com Paul Gubbins

Almoço com Paul Gubbins

O curso é de altíssimo nível. Eu não imaginava que fosse algo tão bom e com tal nível de organização e profissionalismo, está sendo ótimo, estou aprendendo muita coisa e, claro, estou ficando muito cansado também, pois tenho aulas durante o dia todo, depois do jantar acontecem shows, e depois dos shows temos eventos para a juventude que vão pela madrugada. Imaginei que seria maçante tantas horas de aula todo dia, mas está sendo gostoso, as aulas são realmente muito interessantes, temos muitas atividades lúdicas, práticas (já tivemos até aula de francês, ministrada por Sylvain Lelarge, que auxilia a Katalín com as aulas, para experimentar a realidade do aluno ao aprender uma língua) e pausas para ir ao banheiro, tomar café e esticar o esqueleto.

Alunos de cursos em esperanto costumam vir de diversos países, e aqui não é diferente: somos sete alunos de seis nacionalidades. Nenhum italiano. Não conhecia nenhum dos meus colegas, mas nos enturmamos rapidamente. Na hora do almoço temos uma mesa reservada, pois precisamos comer rápido para voltar para o curso, e a Katalin cada dia traz um convidado especial para almoçar com a gente: no primeiro dia foi Paul Gubbens, autor de diversos livros didáticos e outros materiais. No segundo dia almoçamos com o Sylvain, o mesmo que ministrou a aula de francês, e no terceiro dia foi a vez de Humphrey Tonkin, ex-reitor da universidade de Hartford, nos EUA, e um grande esperantista.

Após uma primeira impressão negativa do povo italiano, vou aos poucos relativizando a questão. Eles costumam ser estúpidos em algumas situações, mas extremamente gentis em outras. Certa noite, ao subir a montanha em direção ao vilarejo, um italiano em um pequeno triciclo de carga me ofereceu carona e foi muito simpático. Nas ruelas e estradinhas as pessoas costumam conversar animadamente, acho que Adoniram Barbosa se referia a um hábito tipicamente italiano quando cantou “conversar sobre isso e aquilo, coisas que nós não entende nada”. Castellaro é uma cidade cheia de idosos que querem sossego, só não sei como eles fazem para comprar comida e outras coisas de que necessitam, pois no vilarejo falta quase tudo, meus companheiros de moradia tiveram que ir de carro até a cidade vizinha para fazer compras em um supermercado.

Uma coisa que me chamou a atenção é que muita gente aqui é fã do Roberto Carlos. Um cantor esperantista, Emanuele Rovere, cantou versões em esperanto de algumas canções do compositor brasileiro, depois fui para a casa e estavam falando sobre o Roberto Carlos na televisão. Também ouvi Roberto Carlos em alemão nas ruas de Hamburgo (onde também ouvi uma versão alemã de “O Pintinho Piu”).

Na abertura do congresso eu saudei os participantes em nome do Brasil, assim como fiz em Reykjavik. Algumas palestras do congresso tem a ver com o que estudamos no curso, e por isso a Katalin encaixou uma palestra no programa do curso, de Humphrey Tonkin, sobre Shakespeare. E foi ótima. Outro momento marcante foi quando passei ao lado de um rapaz e ele se surpreendeu e disse “Rafael?”. Olhei para o rosto dele e o reconheci: Guillaume Armide, o Gjom, uma das revelações da música esperantista nos últimos anos, e além disso um grande ativista, que descobriu o esperanto ao ler o parágrafo 14 da Declaração de Compromissos Éticos das ONGs, elaborada durante a Eco92, que recomenda o uso e difusão da Língua Internacional. Por acaso eu estava usando a camiseta da Rio+20, cujo design gráfico foi feito por ele, e ele finalmente pôde ver ao vivo o resultado de sua criação. Sempre estivemos em contato via internet e aqui nos conhecemos pessoalmente.

Kimo e Gjom se apresentam na praça do vilarejo

Kimo e Gjom se apresentam na praça do vilarejo

Depois do jantar há shows, cada dia um diferente. Os dois primeiros, do Kimo e do Gjom aconteceram na praça central do vilarejo, onde também acontecerá o último, do Kapriol’ na sexta-feira. A população local foi em peso para a praça ver as apresentações de música em esperanto. Os shows foram excelentes, pudemos apreciar o talento do Kimo na sanfona e o do Gjom no piano. Além disso, os dois tocaram juntos e foi muito legal. O Kimo encantou a população local pela sua animação, seu jeito divertido. Já o Gjom, além de ser extremamente simpático, saudou a população local em italiano. Na sexta-feira o Kapriol’, grupo holaandês que faz música de excelente qualidade, encerrará com chave de ouro a programação artística do congresso.

Um fato curioso a respeito dos congressos italianos de esperanto é que, como a Itália é um país extremamente católico, há uma missa em esperanto como parte da programação do congresso (obviamente, ninguém é obrigado a participar e muitos congressistas não são católicos). Um dos meus colegas de curso é um padre espanhol, homem muito culto, que domina diversas línguas e leciona teologia. No Brasil muita gente associa o esperanto à doutrina espírita, afinal foram espíritas que iniciaram a divulgação do esperanto no Brasil, e atualmente cerca de um terço dos esperantistas brasileiros são espíritas, mas o esperanto é língua, e obviamente uma língua não tem a ver com crenças religiosas, pois se destina à comunicação.

Na quarta-feira houve excursões. Visitei Gênova, cidade que em seus tempos de glória foi riquíssima, hoje é um retrato da decadência da Itália, com suas ruas imundas cheias de mendigos e diversos prédios à venda ou aguardando inquilinos que não aparecem. Visitamos o aquário, o galeão onde foi filmado o filme Piratas, de Polanski, e depois passeamos pelo centro histórico, visitando prédios antigos e belas igrejas.

Parte da mesa com comes e bebes de diversos países

Parte da mesa com comes e bebes de diversos países

Outra coisa interessante foram os programas com comes e bebes que tivemos ao longo do congresso: uma noite internacional, na qual pessoas de diversos países trouxeram pratos e bebidas típicos de seus países para experimentarmos, e a Noite da Liguria, na qual degustamos comidas típicas da região da Itália onde estamos e, claro, bebidas também. Por aqui há licores, alguns bem inusitados, além de diversos vinhos.

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Itália

A viagem para a Itália começou agradável: uma noite bem dormida em um trem confortável, o último trem alemão que peguei, mas como era para a Itália, saiu atrasado e chegou atrasado em Milão. Uma das primeiras diferenças que se nota entre os alemães e os italianos é justamente a pontualidade. Cada vez que um italiano diz “espere um minutinho”, isso quer dizer “espere meia hora”.

Mas o atraso não foi problema, pois teria que ficar duas horas em Milão esperando o outro trem. O Lars deixou claro que ao sair da Alemanha ele não poderia mais me ajudar, e me aconselhou a perguntar aos amigos italianos como fazer para chegar a Castellaro, cidade onde acontece o 80° Congresso Italiano de Esperanto. Meus amigos Michael Boris e Manuela me escreveram explicando tudo: deveria comprar passagem para Taggia-Arma na estação de Milão e embarcar. Ao chegar na máquina para comprar minha passagem, vi que havia opções em diversas línguas, e escolhi espanhol. Imediatamente, a cada passo da compra a máquina me dava instruções com uma voz estilo “google-tradutor”, com um forte sotaque italiano. Foram emitidos dois bilhetes, um até Savona, e outro até Taggia-Arma.

Estação Milano Centrale

Estação Milano Centrale

No meu primeiro bilhete constava a informação de não ter assento garantido, então supus que poderia sentar em qualquer assento. Me sentei e pouco tempo depois veio uma moça, me mostrou sua passagem e disse que o assento era dela. De fato, o numero da poltrona estava impresso no bilhete dela, então perguntei onde eu poderia me sentar, supondo haver um vagão específico ou algo assim, e ela disse que eu deveria esperar no corredor. Só então entendi o que tantas pessoas faziam em pé no corredor atrapalhando a passagem dos outros que se locomoviam pelo trem.

Após um bom tempo (saímos atrasados, claro) o trem começou a se mover e os passageiros no corredor abaixaram uns assentos dobráveis que ficam junto à parede. Fiz o mesmo, mas o tempo todo tinha alguém passando pelo corredor e todos nós levantávamos para a pessoa passar. E assim foi durante horas, uma longa viagem desconfortável em um trem lotado. Quando achei que não podia ficar mais tosco, eis que surge um vendedor com um carrinho que ocupava metade do corredor, e passa vendendo comes e bebes para os passageiros. Essa viagem foi estressante, mas o melhor a fazer era rir das situações inusitadas. E para piorar o sol começou a entrar pela janela e fiicarmos em um forno. E nem dava para abrir a janela e sentir um ventinho, pois o vagão é, segundo a empresa ferroviária, climatizado.

Cheguei em Savona e meu bilhete para o segundo trecho da viagem dizia apenas que ele é válido para embarque dentro de seis horas após minha chegada. Perfeito, tinha seis horas, mas qual trem poderia pegar? Os painéis da estação só mostravam o destino final de cada trem, e o único para Taggia-Arma, que sairia dentro de dez minutos, havia sido cancelado.

Vilarejo onde moro, visto do Golf Clube

Vilarejo onde moro, visto do Golf Clube

Me dirigi ao guichê de informações, onde os atendentes não costumam ser nada gentis, e me deixaram esperando em frente ao guichê por alguns minutos até resolverem me atender. Mostrei meu bilhete e a mulher se limitou a responder “14:14 plataforma 2”. Lá fui eu para a plataforma 2, antes comprei chá gelado e sanduíche em máquinas da estação, pois estava com fome. Enquanto comia, li o itinerário do trem: teoricamente estaria em Taggia-Arma após duas horas. Obviamente o trem atrasou.

Mas cheguei em Taggia. O congresso é em Castellaro, vilarejo vizinho, minúsculo, com três horários de ônibus por dia. A estação não tem guichê de informações e no ponto de ônibus também não havia informação alguma. A organização do congresso mandaria microônibus diversas vezes para levar congressistas, mas não havia informação alguma na estação.

Percebi dois senhores igualmente perdidos na estação e perguntei a eles, em esperanto, se eles iam para Castellaro. A resposta foi positiva, éramos três, logo apareceu mais um, quatro esperantistas em busca de Castellaro. Um deles tinha o telefone da Laura, presidente da comissão organizadora, e ela mandou o microonibus nos buscar.

Pelo caminho, paisagens lindíssimas do mediterrâneo. E o motorista dirigindo como louco por estradinhas estreitas com curvas fechadas à beira do abismo. No topo começamos a descida pelo outro lado do morro, com uma bela vista das montanhas, do mar, e do vilarejo de Castellaro. E chegamos ao Golf Club, sede do congresso. Na recepção encontrei a Manuela, que veio correndo me abraçar. Fui com outras pessoas para a opção barata de alojamento, fora do Golf Clube, estamos alojados em uma hospedaria em um vilarejo bem típico da Itália, com um monte de vielas entre sobrados de arquitetura inconfundível. De lá até o Golf Clube dá uns vinte minutos a pé e o caminho é lindo. No meu primeiro jantar na Itália encontrei o Paulo Sérgio Viana, um grande esperantista brasileiro, e é sempre um prazer reencontrá-lo.

Mediterrâneo visto do vilarejo

Mediterrâneo visto do vilarejo

Outro contraste entre Alemanha e Itália é com relação à tecnologia: na Alemanha ela é funcional, na Itália ela é futilidade. Por exemplo, estou fazendo um curso em uma sala de aula cheia de painéis com botões, display LCD etc para controlar a iluminação, o ar condicionado, o projetor, o som… mas nem os técnicos daqui sabem mexer nisso, e já tivemos aula com pouca luz, ou com o ar condicionado desligado (e aqui é muito quente). Outro exemplo são os banheiros: em um, menor, que usei, basta abrir a porta para as luzes se acenderem. Não há interruptor. Mas basta se aproximar do vaso sanitário para a luz se apagar. No outro banheiro, maior, a luz não acende automaticamente, é preciso dançar no corredor para ela acender, mas nesse pelo menos a luz demora alguns minutos para se apagar.

Tenho muita coisa para contar do Congresso Italiano de Esperanto e do curso que estou fazendo, mas falta tempo para escrever.

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Munique

Cheguei cansado em Munique após uma viagem noturna com conexão. Conforme as instruções do Lars, telefonei para o Fritz, esperantista responsável por me hospedar na cidade, e ele me disse que outro esperantista me esperava no fim da plataforma. Ao chegar no local combinado, um senhor muito simpático e tagarela me saudou em esperanto e se ofereceu para me mostrar a cidade. Deixamos minha mala no guarda-volumes da estação e saímos para visitar o centro histórico e tomar café da manhã.

Interior da catedral de Munique

Interior da catedral de Munique

A estação principal é muito bem localizada, e bastou sair dela para ver diversos prédios antigos e as torres da catedral. Caminhamos pela cidade que ainda dormia, e não é preciso andar muito para perceber que Munique é a principal cidade católica da Alemanha: em todo canto há uma igreja católica, um convento, uma praça ou rua com nome de santo. Visitamos algumas igrejas, e conforme as visitas seguiam eu ia aprendendo sobre estes locais, sua história e sua ligação com a cidade.

Tomamos café da manhã e continuamos o passeio. Cada local guardava uma história curiosa, e a partir das 9:00 as ruas, até então quase desertas, vão se enchendo de pessoas. Às 9:30 era uma multidão andando pelas ruas cheias de vida, turistas com suas câmeras fazendo turistices, pessoas indo para o trabalho, artistas de rua se apresentando para as pessoas, bares e cafés se enchendo de gente que bebia cerveja e conversava.

À tarde o Fritz foi me buscar de carro, mas de lá teve que voltar para o trabalho e me deixou em uma praça para eu descansar um pouco, ou mesmo passear pelas redondezas se quisesse. Na praça havia mesas e cadeiras para as pessoas comerem e conversarem. Atrás de mim um supermercado. Entrei para comprar algo para beber, pois estava muito quente. Visitar mercados é uma boa maneira de conhecer a cultura de um lugar, pois neles encontramos produtos típicos da região, coisas inusitadas, etc. Um produto incomum para nós que eu encontrei por lá foram medidores de embriagues para os motoristas saberem se podem ou não dirigir. Comprei uma cerveja, me sentei à sombra e fiquei bebendo e descansando. Cheguei até a dar um breve cochilo, até que o Fritz chegou e fomos para casa. A esposa dele, Vitória, é brasileira, e ambos se conheceram durante o primeiro Congresso Mundial de Esperanto ocorrido no Brasil, em Brasília, em 1981.

Centro de Munique

Centro de Munique

Tomei banho e dormi por algumas horas. Acordei pouco antes do jantar, e jantamos em casa. O Fritz me levou para passear à noite, fomos a um bar chamado Esperanto, depois passeamos por diversos lugares. A cidade tem monumentos belíssimos e museus com acervos incríveis, pena que em minha rápida passagem não deu tempo de conhecer muita coisa. Passamos em uma sorveteria que vende sorvetes deliciosos, e como gosto de experimentar novos sabores, experimentei o de pepino, e é gostoso.

No dia seguinte todos tinham que trabalhar, então tive que passear sozinho pela cidade. Acompanhei o Fritz até a estação de metrô, e lá ele me entregou um bilhete que a gente revalida na máquina toda vez que o tempo se esgota, e permite o uso de trens, metrô, ônibus e bondes. Aliás, os bondes de Munique dão um charme às ruas da cidade.

No começo fiquei um tanto perdido no metrô, pois são muitas linhas, nem todos os trens fazem a linha até o final, e a mesma plataforma costuma ser usada por mais de uma linha, algo incomum para nós brasileiros. Acabei embarcando na direção errada e fui parar em Messestadt Ost. Pelo mapa descobri que havia um parque nas proximidades, e aproveitei para visitá-lo. Um lugar muito bom para lazer, com pessoas correndo, pedalando ou mesmo tomando banho no lago, mas não tinha grandes atrativos para um turista, então voltei para o metrô e segui para a universidade, que fica no centro histórico.

Por ser uma cidade medieval, Munique era murada, e nesse passeio pelo centro vi alguns dos antigos portões da cidade, além de belas igrejas e prédios. Foram várias horas passeando sozinho, e isso também foi legal, pois desde minha chegada à Islândia estava acompanhado praticamente o tempo todo, e por mais que seja bom estar cercado de amigos, também é necessário ter um momento para si mesmo.

Caminhei por diversos lugares do centro e acabei chegando à catedral. Aproveitei para ir até a feira, que existe nas proximidades, para almoçar, pois estava com fome e tinham me falado muito bem dessa feira. No centro da praça, mesas e cadeiras tomadas por uma multidão que comia e bebia, e eu comprei uma refeição para mim, salsicha com batatas, e uma cerveja para acompanhar. Na Alemanha, assim como em muitos outros países europeus, é comum servirem batata como se fosse um substituto do arroz que comemos no Brasil. Me lembro que no meu vôo entre São Paulo e Amsterdã havia duas opções de almoço, frango com arroz e carne com batatas. Na Islândia também era comum comermos carne com salada ou batatas ou pão.

À tarde fui visitar o Parque Olímpico. As Olimpíadas fizeram um bem enorme para a cidade, e até hoje Munique recebe muitos turistas estrangeiros por causa dos jogos que a tornaram muito mais conhecida, e os turistas pagam para visitar o estádio olímpico, o centro de esportes aquáticos, o museu olímpico. Fora isso, o parque é uma bela área de lazer com um lago onde se pode andar de pedalinho ou fotografar os gansos nadando.

Um parque de diversões estava instalado ali, pois é verão e os europeus aproveitam para ir às praças e parques torrar sob o sol. Ao lado do parque muitas barraquinhas de comida e bebida. Como era meu último dia na cidade, resolvi aproveitar para tomar mais cerveja, e ao comprar me informaram que teria que pagar dois euros a mais pela caneca. Quando voltei para recarregar, recolheram minha caneca usada e me deram uma nova cheia de cerveja. Depois devolvi a caneca e recebi de volta o que havia pago por ela.

Hora de voltar para casa. No caminho dei uma passada rápida pelo museu da BMW. Após chegar em casa, tomei um banho, arrumei as malas e fui com o Fritz me encontrar com os esperantistas locais. A proposta era de uma palestra, mas como foi tudo arranjado de última hora e muita gente está viajando por causa das férias de verão, acabamos fazendo um bate-papo em um bar, onde jantamos. De lá segui para a estação para embarcar no trem para Milão.

Música anima as ruas

Música anima as ruas

O Lars, mesmo de férias na França, se preocupou muito comigo e fez de tudo para evitar problemas e dificuldades para mim. Os esperantistas locais que me receberam em suas cidades foram igualmente gentis e hospitaleiros, por isso sou muito grato aos que permitiram que minha estada na Alemanha fosse tão agradável. O Lars ainda teve o cuidado de me comprar um assento leito, para eu poder cruzar os Alpes dormindo. Acordei na Itália quando já era dia.

 

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Hameln

Viajar de trem pela Europa muitas vezes implica em trocar de composição o tempo todo, normalmente tendo pouco tempo para isso. Na Alemanha há diversas companhias que operam as linhas ferroviárias, diversas categorias de trem, boa disponibilidade de horários e facilidades para pegar outro trem no caso de alguma mudança de itinerário ou horário. Devido à indefinição do meu itinerário, o Lars, coordenador do programa, comprou para mim um Bahn Ticket e as demais passagens de que necessitei, incluindo um Niedersachsen-Ticket, que dá direito a viajar o dia todo por qualquer trem das categorias mais baratas (não vale para IC, EC e ICE, que são os mais rápidos e confortáveis). Papelada pronta, instruções minuciosas do Lars de qual cartão usar em qual trecho, em quais estações fazer baldeação e lá fui eu para a estação principal de Hamburgo pegar meu primeiro trem.

Estação Central de Hamburgo: início da viagem

Estação Central de Hamburgo: início da viagem

A Jutta me levou até a estação. Fomos de metrô e não precisei pagar, pois o Niedersachsen-Ticket também vale para transporte urbano. É comum haver dois trens parados em seções diferentes da mesma plataforma, e o tráfego ferroviário por aqui é impressionante, e quando um trem sai da plataforma outro chega e ocupa o lugar que estava vazio. Enquanto esperava meu trem fui surpreendido pela passagem de um trem com vagões para carros atrás dos vagões para passageiros. A Jutta me explicou que em alguns trens é possível embarcar com o carro e retirá-lo ao chegar ao destino. Embarquei em um trem de dois andares da empresa Metronom (agora entendi o que significa essa palavra, que aparece na letra da música Berlino Sen Vi, do Inicialoj DC), troquei de trem três vezes até chegar em Hameln, ou Hamelin como a cidade é conhecida no Brasil.

Um esperantista muito simpático chamado Klaus estava esperando por mim na plataforma. Ele me levou até seu carro e de lá seguimos para Fischbeck, vilarejo vizinho, onde sua esposa Monika nos esperava com uma torta e um café. Comemos enquanto conversávamos, e depois fomos conversar no jardim. A casa deles tem um jardim muito bonito e aconchegante, assim como as casas vizinhas.

Com a estátua do flautista

Com a estátua do flautista

Depois de uma hora de conversa seguimos para Hameln, onde Klaus e Monika me mostraram a cidade. Tudo lá tem nome que lembra rato ou flautista. No centro histórico há estátuas sobre a história do Flautista de Hameln, além de placas metálicas com ratos em relevo em alguns lugares do chão, ratinhos desenhados em cantos de parede, etc. No centro da antiga cidade há um prédio com diversos sinos e uma portinhola por onde passam bonecos que encenam a história do flautista, espetáculo anunciado pelos sinos. Visitei uma rua onde é proibido cantar, pois foi por essa rua que o flautista levou as crianças embora. E as ruas do centro de Hameln são curvas, conforme Heinz me explicou, para os invasores na idade média não conseguirem ver o centro da cidade.

Diante do museu de Hameln: Monika, eu, Flautista, Eva e Klaus

Diante do museu de Hameln: Monika, eu, Flautista, Eva e Klaus

Nos encontramos ao acaso com Eva, uma esperantista russa que não pôde ficar muito tempo com a gente, e depois veio o Heinz, presidente do clube de esperanto da cidade, Os Caçadores de Ratos. Conversamos, passeamos, e fomos para o Kommunikationszentrum Sumpfblume onde dei minha palestra. O movimento esperantista da cidade me pareceu bastante ativo, pois, apesar de tudo ter sido organizado em cima da hora, apareceu bastante gente.

Durante a palestra também bebemos, alguns preferiram cerveja, outros ficaram no refrigerante. Em seguida jantamos por lá mesmo, pois há uma cantina no andar de baixo com boas opções de comida. Já estava ficando tarde e eu precisava pegar o último trem para Hannover, o úlltimo no qual usei meu Niederseichsen-Ticket, pois após a meia-noite ele perdeu a validade e a viagem noturna para Munique foi em duas etapas, a primeira em um trem confortável, no qual dividi uma cabine de seis lugares com um menino, duas moças e um cachorro, e a segunda no trem mais tosco que já peguei, com poltronas sujas e cheirando a mofo (imagina na Copa!, como diriam aqueles que só acham defeitos no Brasil), mas pelo menos fiquei sozinho na cabine e pude esticar as pernas sem medo de machucar o cachorro. E finalmente cheguei a Munique.

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Hamburgo

Depois do congresso na Islândia, vim para a Alemanha participar de um projeto de intercâmbio cultural muito interessante promovido pela Associação Alemã de Esperanto. Trata-se das “prelegvojaĝoj” (viagens de palestras), cujo objetivo é atrair esperantistas estrangeiros para o país para ministrar palestras e ao mesmo tempo conhecer a terra de Goethe. A Associação providencia hospedagem gratuita na casa de um esperantista local e paga todos os bilhetes de trem para viajar de uma cidade a outra. Normalmente os esperantistas locais também oferecem alimentação gratuita.

Eu no topo de uma torre metálica com um esperantista local

Eu no topo de uma torre metálica com um esperantista local

A Alemanha é uma experiência linguística interessante, pois aqui é raro encontrar informações em inglês nas estações, nos restaurantes, etc, e o alemães não se envergonham disso, ao contrário dos brasileiros, afinal estão em seu país, onde se fala alemão e quem não domina a língua tem que se virar.

Em Reykjavik recebi mensagem do Lars, coordenador do programa, com minhas passagens de trem e o endereço da Jutta, uma agradável senhora que me hospedou em Hamburgo. Ela também me escreveu para convidar-me para um passeio de bicicleta pela cidade em companhia de outros esperantistas no domingo, poucas horas após minha chegada.

No aeroporto há uma estação de trem e eu precisava pegar a linha que passa próximo à casa da Jutta. Acostumado com os trens e metrôs de São Paulo, ingenuamente fui procurar no mapa: a quantidade de linhas é impressionante, e fiquei totalmente perdido. Tinha apenas o número da linha, mas esqueci de anotar o sentido e daí o jeito foi entrar no trem e olhar o mapa da linha: era mesmo aquele trem que eu tinha que pegar. Para embarcar é necessário comprar o bilhete, mas aqui não há guichês, apenas máquinas que emitem tickets nas estações e pontos de ônibus. Minha primeira dificuldade: não tinha dinheiro trocado e a máquina não aceita notas de valor superior a dez euros. O jeito foi pagar no cartão. A melhor dica que posso dar a quem viaja para o exterior é adquirir um cartão de viagem pré-pago. O meu já me livrou de vários apuros.

Outra coisa interessante é que não há catracas nem dispositivos de controle para verificar quem tem bilhete e quem não tem. Eu poderia ter embarcado sem pagar, isso seria ilegal, mas ninguém teria descoberto. A Jutta me disse que raramente alguém confere bilhetes em trens urbanos, mas nos ônibus costumam verificar porque muita gente foi pega viajando de graça há algum tempo. De um modo geral, as pessoas são honestas, compram na máquina o bilhete que necessitam e pagam o preço proporcional ao trecho da viagem.

E para conhecer Hamburgo nada melhor do que pedalar. A Jutta teve o cuidado de arranjar uma bicicleta para mim, e saímos pela cidade pedalando até um parque onde encontramos outros esperantistas, e também não-esperantistas, que decidiram pedalar pela cidade. O passeio foi organizado pelo Dominique, um ativista do BEMI, Movimento Internacional de Ciclistas Esperantistas. Nos reencontraremos em breve no FESTO, na Bélgica, e ele irá pedalando até lá.

No caminho vimos parques, museus, igrejas e prédios antigos. Pedalamos por lugares agradáveis, e como era dia de sol o povo estava torrando sobre a grama dos parques ou nadando nos lagos. Outra particularidade de Hamburgo é o uso de barcos no transporte urbano, pois há muitos canais e rios.

Ciclistas esperantistas em Hamburgo

Ciclistas esperantistas em Hamburgo

A diferença em termos urbanísticos entre Hamburgo e Campinas é gritante. Aqui os ônibus e trens urbanos viajam quase vazios, dando a impressão de ser uma cidade relativamente pequena. No entanto, Hambugo possui quase dois milhões de habitantes. Por ser plana, a bicicleta é muito popular, e é possível alugar uma caso não tenha um amigo esperantista para lhe emprestar uma magrela.

As calçadas são responsabilidade da prefeitura, o que garante padronização, não é como no Brasil onde cada um constrói a sua do seu jeito e temos calçadas cheias de obstáculos. As calçadas são padronizadas, possuem guia rebaixada para os ciclistas e cadeirantes, piso podotátil para cegos (em poucos lugares, por enquanto) e em muitas há uma parte vermelha destinada aos ciclistas. Também é comum ter uma faixa para ciclistas no meio da rua, entre as faixas reservadas para os carros, que respeitam os ciclistas (nem sempre, mas quase sempre). Pedalar em Hamburgo é muito mais seguro do que no Brasil, mas mesmo assim está longe do ideal, e os ciclistas reclamam muito: pedestres caminham pelas ciclovias, alguns motoristas não respeitam os ciclistas, em alguns lugares há galhos baixos ou plantas que atingem a cabeça do ciclista (e isso aconteceu com a Jutta bem na minha frente, mas ela estava de capacete). Ao longo da cidade há diversas pichações e cartazes justamente reivindicando mais investimento na segurança do ciclista.

Após o passeio, fomos tomar café (era para ser café, mas no fim quase todos tomamos a cerveja da casa) em um antigo castelo, atualmente um museu, e em uma sala daquele mesmo local aconteceu minha palestra. Alguns esperantistas da cidade foram até o castelo sem pedalar, só para a palestra mesmo, que no fim acabou virando um bate-papo, pois eles tinham muita curiosidade a respeito do Brasil e o que era para ser palestra virou algo mais dinâmico, e mais do meu agrado.

Após pedalar muito, comemos, bebemos e conversamos

Após pedalar muito, comemos, bebemos e conversamos

Um senhor estadunidense que organiza discussões filosóficas em inglês em um centro cultural me convidou para uma reunião no dia seguinte sobre o tema “o que é a vida”. Acabei não indo, pois preferi passear pela cidade no dia seguinte. Comprei um relógio, pois esqueci de trazer o meu do Brasil, e um chip telefônico para usar ao longo das próximas semanas, já que em diversos momentos poderei precisar telefonar para alguém, bem como receber algum telefonema urgente do Lars sobre alguma mudança repentina no meu programa, como a que resultou na minha viagem para Hameln, ou Hamelin, como é conhecida no Brasil (sim, a cidade do conto de fadas). Escrevo no trem, enquanto sigo ao encontro dos Caçadores de Ratos, nome do grupo de esperanto da cidade.

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Do inferno ao paraíso

Ao chegar na Islândia, minha primeira impressão sobre os islandeses foi boa, pois são pessoas muito gentis, mas confesso que ao sair do aeroporto em Keflavik, ao longo de uma viagem de uma hora até Reykjavik tudo o que existia ao redor da estrada era um chão de pura rocha, fruto de erupções vulcânicas, com diversas crateras que davam ao local um aspecto de terra arrasada, me sentia como se estivesse em outro planeta, um lugar quase inabitável, onde a vida parecia se resummir ao musgo e os pequenos arbustos que crescem na rocha. Era madrugada mas a luz solar penetrava através das nuvens enquanto uma fina garoa caia. Era um cenário assustador, parecia ser impossível haver terra, árvores ou animais naquele lugar.

Reunião de jovens da TEJO na Associação Islandesa de Esperanto.

Reunião de jovens da TEJO na Associação Islandesa de Esperanto.

Em Reykjavik me senti mais tranquilo: vi terra, árvores, jardins com flores, casinhas coloridas. De qualquer forma a cidade estava cheia de esperantistas, incluindo grandes amigos meus de diversos países, e certamente seria divertida, mas duvidava que a islândia pudesse ser linda e cheia de belezas naturais como mostrado nas propagandas do congresso e mesmo nas propagandas turísticas existentes nos ônibus e nos aviões da Icelandair. Parecia não haver nada que valesse a pena ver fora das áreas urbanas.

Minha impressão mudou durante a excursão pelo círculo dourado, na quarta-feira, sobre a qual já escrevi, e desde aquele momento comecei a me arrepender por ter vindo para ficar apenas uma semana, pois seria maravilhoso percorrer o país todo, passar uns dias nas geleiras, nos vulcões, nas pequenas cidades litorâneas, ou mesmo fazer excursões de barco para ver baleias e puffins (belos pássaros de bico alaranjado).

Nos dois últimos dias do congressos tivemos reuniões do conselho da UEA e de diversas comissões que tratam de temas importantes do movimento experantista. Durante uma reunião com a nova diretoria da UEA, improvisada em um corredor de frente para a marina por falta de sala, vi o Pangaea seguir viagem em direção ao norte, a bandeira brasileira tremulando ao vento.

Após o encerramento do congresso, no sábado de manhã, tinha um período livre para passear onde quisesse, mas precisava arrumar minha mala e estar em frente a um hotel, ao lado do alojamento, às 22:30 para pegar meu ônibus para o aeroporto: o vôo para Hamburgo estava previsto para as 00:45, e aquele era o último ônibus. Pensei em passear a pé por Reykjavik mesmo, ir a alguma das piscinas de água quente, ou então conprar um pacote para uma excursão para algum lugar próximo, mas os italianos pretendiam alugar um carro e pegar estrada. Adorei a idéia e aceitei o convite para ir com eles.

Atrás da primeira cachoeira que visitamos no sábado

Atrás da primeira cachoeira que visitamos no sábado

E assim fomos eu, Michael Boris, italiano, Francesco e Sara, italiscoceses (ambos nasceram na Itália, mas foram morar na Escócia há alguns anos e trocaram o vinho pelo uísque) e o Richard, australiano que dividiu quarto comigo em Sa Pa, no Vietnã, no ano passado, pegar estrada rumo ao sul, para conhecer cachoeiras e, se desse tempo, uma minúscula cidade chamada Vik, seguindo um itinerário sugerido pelo funcionário da locadora de carros.

No dia anterior, almoçando com Siru Lane, esperantista finlandesa que mora na Islândia, ela me contou ter conhecido todo o litoral da Islândia através do anel viário que o acompanha, em um passeio de carro.

Ao longo do caminho havia belas paisagens: montanhas, fazendas, campos de feno, vulcões, cavalos e geleiras. E é das geleiras que nascem os rios que descem as montanham formando as mais belas cachoeiras da Europa. Visitamos duas, sendo que a primeira a gente contornou, passando por trás dela, enquanto o vento trazia a água gelada em nossa direção. A água que nasce do chão sai fervendo, enquanto a que desce das montanhas era gelo até poucos instantes, e é essa água, puríssima e muito saborosa, que a gente bebe na Islândia.

Esperantistas na segunda cachoeira

Esperantistas na segunda cachoeira

Não estava a fim de ir até Vik, pois já estava tarde e tinha medo de perder meu ônibus, mas fomos para Vik, o lugar mais lindo onde já estive. Lá tudo é cenário para fotos de quebra-cabeça: casinhas entre montanhas, igrejinha, ovelhas pastando, campos de feno sob o sol, geleiras ao fundo. Antes de chegar a Vik a gente passa por um vale cheio de fazendas, com a grama bem verde iluminada pelo sol, contrastando com as sombras das montanhas, e as geleiras ao fundo. Do outro lado da estrada, campos de feno, com sacos e mais sacos do produto recém colhido, e que servirá para alimentar os animais durante o inverno.

Após a passagem por esse vale, uma subida, e de lá avistamos Vik. É a menor cidade que já vi, com uma igrejinha à beira de uma montanha, encurralada entre as montanhas e o mar. Atrás de mim as geleiras ainda eram visíveis, de cada lado havia uma montanha com pastagens verdes cheias de ovelhas. À minha frente a cidadezinha à beira do mar, alguns pequenos barcos, e no mar uns penedos semelhantes aos da baía de Ha Long, no Vietnã.

Vik, pequena cidade entre montanhas e o mar

Vik, pequena cidade entre montanhas e o mar, vista da igreja

Havíamos combinado de dar uma olhada na cidade e voltar, pois estava tarde, mas optamos por descer, era impossível resistir. Visitamos a igrejinha, olhamos as paisagens, demos uma volta e voltamos para o carro. Cheguei no alojamento às 21:40. Não deu tempo de arrumar a mala, só joguei dentro dela tudo o que precisava levar e saí correndo para o ponto de ônibus. Segundo o motorista, cheguei três minutos antes do ônibus sair.

Os ônibus que passam nos hotéis levam os passageiros até um estacionamento que funciona como uma rodoviária, e lá trocamos de ônibus para seguir até o aeroporto. Chegamos 15 minutos antes do ônibus partir, dava tempo de comprar o melhor cachorro-quente do mundo, a uma quadra dali, e como estava com fome aproveitei a ocasião. Havia um grupo de esperantistas comendo cachorro-quente e aproveitei para me despedir deles. A viagem seguiu e no caminho para Keflavik, por entre aquela paisagem assustadora do pedaço mais feio da ilha (justamente por isso usado como aeroporto, pois não serve para turismo nem para agricultura), onde vi o pôr-do-sol no mar, um maravilhoso espetáculo que me ensinou que até um lugar como aquele também pode nos surpreender com algo de inesperada beleza.

Pôr-do-sol no mar, próximo ao aeroporto de Keflavik

Pôr-do-sol no mar, próximo ao aeroporto de Keflavik

O aeroporto estava cheio de esperantistas, e conversando na sala de embarque esqueci da hora e quase perdi meu vôo. Mas embarquei em cima da hora e deu tudo certo.

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Ekskursa tago

Trator em plantação de feno

Trator em plantação de feno

Na quarta-feira, ou seja, no meio do congresso, temos o “Ekskursa tago”, ou dia de excursões, com várias opções de passeios. No ano passado aproveitei que no Vietnã tudo é barato e passeei bastante, pois todo dia tem uma excursão, a diferença é que há uma excursão por dia, exceto na quarta, quando há várias excursões e não há palestras, reuniões, etc.

Assim como a maioria dos jovens, eu escolhi o Círculo Dourado, justamente a excursão mais barata, mas também a mais adequada para conhecer diversos lugares em um dia: fomos a uma cidadezinha, depois visitamos uma cachoeira, o Grande Gêiser e o Parque Nacional de Pingvellir, onde se pode ir da Europa para a América em um passo: é lá que as placas tectônicas da Eurásia e da América do Norte se dividiram, com fortes erupções vulcânicas que formaram a Islândia.

Diversos passeios turísticos da Islândia possuem o nome Círculo Alguma Coisa, isso porque consistem em roteiros circulares, indo por um caminho e voltando por outro, e cada um tem suas atrações. Alguns esperantistas foram para o mar observar baleias, e teve ainda os que foram de avião passar um dia na Groenlândia.

Cachoeira na Islândia

Cachoeira na Islândia

A cidadezinha que visitamos é realmente minúscula. Nela há uma igreja antiga, um museu embaixo da igreja e uma casa como as das antigas fazendas islandesas, feita de madeira e coberta pela vegetação. De lá seguimos para a maior cachoeira da Europa, a Detifoss. No caminho contornamos o vulcão Eyjafjallajökull, cuja erupção em 2010 fechou todos os aeroportos da Europa por causa da fuligem no céu. Almoçamos ao lado da cachoeira. Ao fundo era possível ver as geleiras que geram o rio onde a cachoeira se encontra. Elas estão diminuindo de tamanho devido ao aquecimento global.

Ao longo das estradas era possível ver belas paisagens: montanhas, geleiras, plantações de feno, turistas passeando montados nos belos cavalos islandeses. No começo da viagem vimos uma usina geotérmica (toda a eletricidade produzida na Islândia é de origem geotérmica, aproveitando as características peculiares de um lugar cheio de vapor e vulcões).

O Grande Gêiser joga vapor a uma altura de vinte metros. Fiquei bem perto dele e contra o vento, recebendo vapor na cara. Estava ciente de que quando viesse o jato ficaria cercado de vapor quente, mas como não ultrapassei a linha de segurança, tinha certeza de estar seguro. O jato surge de repente e quem fica no local onde eu estava toma um banho de vapor. Foi uma experiência um tanto assustadora, pois embora consciente de estar em total segurança, vi em uma fração de segundo uma gigantesca fumaça branca me cercar por todos os lados, fechei os olhos, senti o jato quente no rosto e o cheiro de enxofre.

O Grande Gêiser visto do topo da montanha

O Grande Gêiser visto do topo da montanha

Mas o mais legal no Grande Gêiser foi subir a montanha ao lado dele e ver tudo do alto: paisagens maravilhosas, vista para todos os gêiseres do local (são vários) e também para paisagens bucólicas, com fazendas e rios. Para ir até a montanha é preciso atravessar uma cerca (não entendi o motivo da cerca, pois não havia animais ali) por uma escada.

Pingvellir é maravilhoso. Há um paredão de rocha marcando o encontro das placas tectônicas, um rio, e diversas paisagens de quebra-cabeça. Por onde se anda há diversas flores e, claro, muita rocha.

Eu e a Flama, na falha geológica que separa América do Norte e Europa

Eu e a Flama, na falha geológica que separa América do Norte e Europa

Está quente aqui, nos últimos dias só precisei de blusa à noite, e em Pingvellir fiquei com muita vontade de pular no rio para me aliviar do calor. Os islandeses, ao contrário, se divertem deitando na grama com pouca roupa para pegar um bronzeado, eis uma cena muito comum por aqui nesses dias. No fim da tarde é necessário usar blusa por causa do vento.

À noite teve show do Kimo em um bar de Reykjavik, com direito a show de abertura de uma banda local. Depois o Kimo tocou sozinho, a banda local voltou e tocou duas músicas com ele, depois um baterista que veio para o congresso também fez sua participação especial. Fiquei no bar até fechar, conversando com amigos e jogando um jogo parecido com o scrabble.

Show do Kimo em um bar de Reykjavik

Show do Kimo em um bar de Reykjavik

Outro dia vi uma cena engraçada: um grupo de jovens islandeses fez uma roda ao redor de um casal holandês e ficou dançando e cantando o tema do Darth Vader. Em seguida disseram “parabéns pelo novo rei”.

Descobri que o cachorro-quente daqui é considerado o melhor do mundo, e as salsichas que eles usam são diferentes das salsichas usadas em outros países. Outra curiosidade interessante: o dono do bar onde o Kimo se apresentou me explicou que na Islândia é proibido vender água (por isso todos os estabelecimentos oferecem água à vontade para seus clientes). Pode-se vender a embalagem, mas não o conteúdo, e isso aqui é levado muito a sério: se você abrir uma garrafinha de água no supermercado, beber o conteúdo ou colocá-lo em outro recipiente, não precisa pagar.

Esta noite uma delegação esperantista, da qual farei parte, será recepcionada pelo prefeito de Reykjavik, que é fluente em esperanto. Há mais de 1000 participantes neste congresso, sendo que a população da Islândia é de 320 mil habitantes. O esperanto tem um número de falantes muito superior ao de falantes do islandês, porém não tão evidente por estar espalhado pelo mundo, enquanto os falantes da língua islandesa estão, quase todos, aqui.

 

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Primeiros dias do UK

Abertura do UK em Reykjavik. Esperantistas encheram o três andares do teatro.

Abertura do UK em Reykjavik. Esperantistas encheram o três andares do teatro.

Está difícil arranjar tempo para atualizar o blog, pois tenho feito muita coisa e o tempo é escasso. Na abertura do congresso eu saudei os congressistas em nome do Brasil. As principais autoridades do país estavam presentes na cerimônia, que lotou o teatro. Ontem, segunda-feira, de manhã ministrei, junto com meus amigos Veronika, Johannes e Julia, uma oficina sobre produção de programas radiofônicos para a internet, visando conseguir novos colaboradores para a Muzaiko, rádio internacional em esperanto com programação 24h por dia em esperanto, inclundo muita música. Este tipo de atividade é importante, pois muita gente tem vontade de colaborar conosco mas não sabe como, e nem todo mundo consegue aprender de forma autodidata pela nossa wiki. Há um ano a Muzaiko tinha colaboradores em três continentes, agora temos em cinco!

Outra rádio que enviou representante para este congresso foi a Rádio Internacional da China, a mesma que há pouco tempo lançou um concurso de fotografias sobre os congressos mundiais de esperanto. Eu me inscrevi neste concurso (é possível votar pelo site clicando no botão “baloti” em http://esperanto.cri.cn/98uk/ O meu álbum está intitulado “Ekskursoj tra vjetnamaj riveroj”). A responsável pelo concurso é a Ĝoja, que conheci pessoalmente aqui em Reykjavik.

Ontem tivemos outra reunião do conselho da UEA e a nova diretoria foi empossada. A equipe da Muzaiko em Reykjavik vai entrevistar todos os novos diretores, eu entrevistei o Martin Schäffer, novo Secretário-Geral, e quinta entrevistarei o novo presidente, Mark Fettes. A nova diretoria, assim como a anterior, possui membros de diversas nacionalidades, que vivem em diferentes países e realidades linguísticas, ao contrário do que costuma acontecer em organizações que usam o inglês como língua de trabalho, nas quais o nível de fluência no idioma acaba sendo determinante na escolha de altos cargos e dessa forma há um predomínio de moradores de países anglófonos nas diretorias.

Por falar em língua, no ano passado me surpreendi ao encontrar diversas semelhanças entre o vietnamita e o esperanto. Dessa vez o mesmo aconteceu. Basta viajar pelo mundo experimentando o esperanto dentro de diversas realidades linguísticas para conhecer seu valor. Infelizmente poucos têm essa oportunidade e muita gente que viaja pelo mundo prefere ignorar o esperanto com base em julgamentos a priori.

No vietnã, a semelhança do esperanto com a língua local se dá principalmente através da gramática, embora haja também diversas palavras parecidas entre as duas línguas, enquanto aqui na Islândia a semelhança entre o esperanto e a língua local é maior no que diz respeito à etimologia. Por exemplo, ao ler a palavra “Apoték” diante de um prédio, pude deduzir que era uma farmácia (Apoteko), ao ler “Banki”, deduzi ser um banco (banko). Algumas semelhanças não são tão evidentes, automóvel aqui é “bil”, última sílaba da palavra “aŭtomobilo”. Esquisito? É tão natural quanto a forma inglesa “auto”.

Ontem teve o banquete, mas não participei por ser muito caro. Teve um banquete alternativo a um preço barato, mas sem luxo, mas acabei me atrasando e fui jantar com um grupo de italianos em um restaurante que tinha uma sopa deliciosa. Depois fomos para o Ölstofam, um bar que dá desconto no preço da cerveja para os participantes do congresso, e aonde os esperantistas jovens costumam ir depois do congresso. Nos primeiros dias estava muito cansado, não bebi nada além de água, precisava dormir ou preparar alguma coisa para o dia seguinte. Agora vou ao Ölstofam toda noite, e lá bebemos a cerveja da casa, que ganhou dois prêmios internacionais recentemente.

Harpa, sede do 98° UK

Harpa, sede do 98° UK

Depois do Ölstofam fui para o baile do congresso. Nao foi tão animado quanto o do Vietnã, mas foi bem legal. O dj Leo Sakaguchi cuidou do som. Ele é um dos principais Djs esperantistas na atualidade, e tocou muita música não apenas em esperanto, mas também em outras línguas. No meio do show ele chamou o Kimo, um dos mais conhecidos músicos esperantistas, para uma participação especial, e o Kimo cantou um dos principais sucessos do Esperanto Desperado (Sola) para a gente.

O Kimo é muito divertido, ontem à tarde ele estava tocando sanfona na praça em frente à Harpa, prédio onde acontece o congresso, e um monte de pessoas estava dançando. Fui lá fotografar e não consegui: ele me fez dançar com a Siru, uma das organizadoras deste congresso, que conheci no ano passado em Hanói. Ele ensinava danças e a gente ia dançando.

Ontem as nuvens desapareceram do céu e vi o sol pela primeira vez. Junto com ele veio um barco brasileiro, chamado Pangaea, que está ancorado diante da Harpa, posso vê-lo daqui onde estou. É uma embarcação um tanto esquisita, provavelmente alguma expedição dessas que a tv mostra de vez em quando.

Pangaea, barco brasileiro diante da Harpa

Pangaea, barco brasileiro diante da Harpa

No domingo fizemos um passeio de quatro horas pela cidade, vimos a casa onde os presidentes dos EUA e da URSS se encontraram durante a guerra fria para negociar a redução de seus arsenais, visitamos o Museu Nacional da Islândia, fomos até a fonte de água quente que abastece a cidade e lá filmei um gêiser em atividade. Amanhã, quarta-feira, é o dia das excursões, e visitarei diversos lugares turísticos, incluindo cachoeiras e o grande Gêiser, que dá nome a todos os outros gêiseres do mundo.

Hoje também teve show de Ĵomart kaj Nataŝa, um dos principais grupos musicais esperantistas. É muito legal ter esse contato com artistas que sempre admirei, cujas músicas ouço há anos, e agora estou tendo a oportunidade de conhecer ao vivo, assistir aos shows, etc. Também é muito gratificante me sentar à mesa com grandes ativistas que fizeram história no movimento esperantista e que pedem minha opinião. Hoje participei de reuniões de três subcomissões da UEA: a Comissão Americana (ou Panamericana para quem acha que América são só os EUA), a Comissão de Relações Exteriores e a Comissão de Informação.

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Islândia

Vitrine da Associação Islandesa de Esperanto

Vitrine da Associação Islandesa de Esperanto

Chegar até a Islândia, país sede do Congresso Mundial de Esperanto de 2013, é mais simples do que muita gente pensa: há vôos diretos saindo das principais cidades da Europa e da América do Norte para o aeroporto internacional de Keflavik, o maior da Islândia. A maioria dos vôos são da Icelandair, a empresa de aviação do país, mas há também vôos de outras companhias.

Minha viagem começou em São Paulo, com conexão no Schiphol, em Amsterdã, o único aeroporto do mundo onde eu consegui usar quatro línguas para conversar com outras pessoas durante algumas horas de espera, além de ter ouvido dezenas de línguas estranhas para mim. Aliás, a questão da comunicação internacional na Europa atinge tal dimensão que no sistema de entretenimento a bordo da KLM há uma seção exclusiva sobre aprendizado de idiomas. Aproveitei para estudar vietnamita na viagem. É uma língua que acho bonita, e cuja gramática me encantou por sua relativa simplicidade.

Minha viagem ao Vietnã me fez perceber que na Ásia há uma diversidade linguística muito grande, tanto entre os países como dentro de um mesmo país, e aqui na Europa não é diferente, de modo que as línguas mais usadas por turistas acabam se tornando dominantes nos ambientes de grande circulação de pessoas, e a grande presença de estrangeiros contribui para isso. Já na América do Sul temos uma realidade bem diferente, pois a diversidade linguística não é notada no dia-a-dia das pessoas: as línguas indígenas estão isoladas dos centros urbanos, e há relativamente poucos estrangeiros.

Eu tinha certeza que no portão de embarque para Reykjavik encontraria outros esperantistas, pois em época de congresso há esperantistas em todos os vôos. Bastou me aproximar da sala de espera para ouvir um entusiasmado “saluton” vindo de uma esperantistas do Rio de Janeiro que estava lá com um grupo de esperantistas coreanos. Outros foram chegando, e dentro do avião era comum ouvir pessoas conversando em esperanto.

Após a chegada em Keflavik, é necessário pegar um ônibus para ir até a capital, Reykjavik, a uma hora de lá. Na véspera da minha viagem fui alertado sobre o frio, os fortes ventos e as chuvas, por esperantistas que chegaram alguns dias antes para passear. Porém, encontrei uma realidade bem diferente: o termômetro marcava dez graus, mas a sensação térmica era mais confortável do que a das noites de Campinas na semana anterior. Não chovia, mas o chão molhado denunciava que havia chovido. Nuvens cobriam o céu, e a última vez que vi o sol foi da janela do avião quando sobrevoávamos as nuvens. Meu vôo foi noturno, mas parecia diurno, pois aqui no verão nunca escurece, o sol se põe depois das onze e nasce pouco mais de três horas depois, mas mesmo quando some no horizonte o céu fica claro. Ao longo da viagem, vi um espetáculo maravilhoso pela janela: à nossa frente era dia, atrás era noite, e o gradiente era bem visível.

Voo entre Amsterdã e Reykjavik

Voo entre Amsterdã e Reykjavik

Os islandeses são pessoas extraordinárias, não há maldade alguma nas pessoas daqui, basta olhar para um islandês para ter aquela sensação de que pode confiar nele, aqui é tudo muito diferente em termos da organização social, o pescador e o ministro comem no mesmo restaurante, ganham salários parecidos, seus filhos estudam juntos na mesma escola, não há grupos privilegiados nem marginalizados, todos têm mais ou menos o mesmo padrão de vida. A preocupação com o bem-estar de todos está acima das questões pessoais, a lei de Gérson é algo que um islandês jamais conseguirá entender.

As pessoas aqui sentem prazer em ajudar os outros, o motorista do ônibus que peguei no aeroporto me deixou na porta da escola Hagaskóli, onde estou alojado, mesmo não sendo parte da lista de hotéis. Ao chegar aqui, a porta estava trancada e não havia ninguém do outro lado da porta de vidro. Deixei a mala sob uma laje, ao abrigo da garoa que caía, e fui contornar a escola para tentar achar alguém que deveria estar me esperando. Eram duas da manhã e eu estava morrendo de sono. Até que escutei alguém me chamar: era o responsável pelo alojamento, que me mostrou a estrutura à minha disposição e me levou até a sala de aula onde coloquei meu saco de dormir… e dormi. A escola não tem muros e os estudantes não tentam fugir, pois dentro da escola é mais legal do que fora dela. Para tomar banho preciso usar o vestiário do ginásio de esportes, que também é de Hagaskóli, mas fica em um prédio separado, no quarteirão da frente. Aqui há dois encanamentos de água para as casas, um de água fria, outro de água quente proveniente de uma das muitas fontes de água quente existentes por aqui (Reykjavik significa “vapor”, e esse nome é devido aos gêiseres e piscinas de água quente), e é misturando a água desses dois encanamentos que se regula a temperatura da água que sai da torneira ou do chuveiro.

Outra particularidade da Islândia é o senso de humor das pessoas: o islandês faz piada o tempo todo, mas só os islandeses dão risada das piadas deles, que costumam se valer da ironia, e não entendem as piadas que os estrangeiros fazem. Alguns exemplos de piadas islandesas: no guardanapo que a aeromoça me deu estava escrito “o melhor da Islândia é que o telefone da primeira ministra aparece na lista” (em cada guardanapo vem uma frase diferente), nas vitrines das lojas se lê coisas do tipo “respondemos perguntas imbecis” ou “temos produtos para (alguma coisa inesperada)”. Durante o jantar um esperantista italiano fez uma piada do tipo “tolerância zero” (lembra do seu Saraiva?) quando a garçonete perguntou se podia retirar o prato, e ela não entendeu a piada, achou q ele tivesse falado sério. Ele teve que explicar que era piada.

Com relação a comida, meu primeiro café da manhã foi uma salada de frutas e um sanduíche. É comum rechearem sanduíches com ovo cozido, presunto e salada. No almoço comi pouco, apenas um cachorro-quente, que aqui é um pão com batata palha, catchup, mostarda escura e uma salsicha muito mais gostoso das que temos no Brasil. No fim do dia estava com muita fome e fui jantar com um grupo de amigos, a maioria italianos, e fomos a um restaurante do tipo coma à vontade. É muito comum encontrar peixes defumados, especialmente salmão, mas comi até carne de baleia (o gosto não é ruim nem bom. Experimentei por curiosidade, mas não pretendo comer de novo). Camarão por aqui é tempero: colocam camarão em tudo, na salada, no macarrão, no arroz, etc. Comi frutos do mar e diversos peixes do ártico. As pessoas aqui adoram cremes: colocam maionese nas saladas, nos sanduíches… e as sobremesas, quando não são frutas nem tortas, são cremosas, quase sempre com consistência de chantilly. Também comi uma sobremesa amarela, idêntica a curau, mas com um gosto bem diferente e que não consigo explicar. E na entrada do restaurante tem um aquário com peixes ornamentais brasileiros. Também comi um chocolate muito gostoso, e recheado com uma pasta preta que tem gosto de arak.

Parlamento islandês, construído com rocha oriunda de erupções vulcânicas

Parlamento islandês, construído com rocha oriunda de erupções vulcânicas

Um resumo do meu primeiro dia, ao acordar fui tomar banho. O vestiário da escola é de cair o queixo para quem está acostumado com o padrão brasileiro, muito confortável, com uma antesala ampla cheia de cabides e bancos para deixar os pertences, e depois as duchas para tomar banho. Fui para o congresso em companhia de um esperantista neozelandês. Ao chegar na Harpa, o maior centro de convenções da Islândia, encontrei a Siru, islandesa que conheci no ano passado em Hanói, e em seguida minhas amigas do Vietnã, Phuong (Flama) e Nep (Nepo). Passamos o dia juntos, conversamos muito, em uma roda que ia se ampliando com gente da Coréia, do Japão, de diversos países europeus… Passeamos pela cidade e depois fomos para a reunião do conselho da UEA. Acabei de assumir meu mandato de dois anos como representante do Brasil neste conselho. Diversos amigos meus da TEJO também participam do conselho, estamos formando uma “bancada jovem”. Hoje foi eleita a nova diretoria, que administrará a UEA pelos próximos três anos. Em breve mais notícias da Islândia.

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Esperanto por Lernejaj Klasoj

Esperanto por Lernejaj Klasoj

Esperanto por Lernejaj Klasoj, do Professor Josias Barboza, de Brasília, publicado pela União Planetária e Liga Brasileira de Esperanto.

O conjunto completo é composto pelos volumes 1 e 2 para o aluno e dos correspondentes manuais do professor, além de discos de áudio. O professor tem ainda a seu dispor na internet uma “pasta auxiliar” cujos arquivos podem ser baixados gratuitamente e modificados de acordo com sua conveniência ou usados como estão.

Disponível para venda em : http://belabutiko.esperanto.org.br/index.php/esperanto-por-lernejaj-klasoj-1-libro-de-la-lernanto.html

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Programa Mia Amiko

Programa Mia Amiko

O “Programa MIA AMIKO” (PMA) objetiva unir os interessados em aprender Esperanto com  amigos esperantistas.

Os amigos esperantistas são pessoas que já conhecem o Esperanto e vivem no movimento esperantista. Os interessados no Esperanto poderão contar com esses amigos, para ajudá-lo a aprender o idioma internacional e, também, para lhe mostrar a atmosfera humana do mundo esperantista. É um processo de “dar a mão” a quem está começando. Os amigos esperantistas vão ajudar aos recém-chegados a se tornarem também esperantistas.

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La nudpiedula fakultato

La nudpiedula fakultato
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Facila Vento
http://facila.org/?p=1578

 

Mi volas konduki vin en alian mondon.  Mi volas paroli pri 45-jara historio pri amo kun la malriĉuloj, vivantaj per malpli ol dolaro tage. Mi iris al multe-kosta lernejo en Hindujo, kiu preskaŭ mal-helpis min. Mi estis tute pretigita por iĝi instruisto, kuracisto… mi povis elekti.

En 1965 mi iris al Biharo, kie en Hindujo regis la plej grava malsatego kaj mi unuafoje vidis malsategon, morton, homojn mortantajn pro malsatego. Tio ŝanĝis mian vivon. Mi revenis hejmen kaj diris al mia patrino:”Mi volas loĝi kaj labori en vilaĝo.” Mia patrino preskaŭ svenis.

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RV195 (2012.11.03)

RV195 (2012.11.03)
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Radio Verda
http://radioverda.com/programoj/2012/11/3/rv195-20121103.html

  • Rigardi bestidojn helpas produktivon
  • Afrika frukto: plej brila vivaĵo
  • Preventi cerbatakon per ĉokolado?
  • Belugo imitas homan voĉon
  • Kajto – Estu vi mem

Rigardi bestidojn helpas produktivon

Pasigi tempon ĉe la laborejo rigardante fotojn de dolĉaj bestoj povus esti avantaĝe al la firmao. Tion sugestas nova japana esploro.

Esploristoj ĉe la Universitato Hiroŝima okazigis serion da testoj por ekscii la influon de kontakto kun amindaj bestoj sur produktiveco kaj taskoplenumado ĉe homoj. Oni trovis ke la efiko sufiĉe pozitivas.

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La magio de “Casablanca”

La magio de “Casablanca”
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http://peranto.posterous.com/

En ĉi tiu jaro 2012, la kinoamantoj en la tuta mondo celebras jubileon de ĉefverko de la kinoarto. Antaŭ 70 jaroj spektantoj unuafoje eklarmetis, vidante sur la ekrano, ke aviadilo forflugas portante belan virinon kaj lasante surtere amantan ĉarmulon. En 1942, dum mondmilito furiozis en Eŭropo, Hollywood produktis filmon, kiu markis por ĉiam la kulturon de la 20-a jarcento: “Casablanca”. Ĝis nun, ne eblas resti indiferenta al la magio de tiu ikono de romantiko. La magnetismo de la paro de ĉefgeaktoroj,  la neforgesebla muziko,  la arte esprimpova nigreblanka fotografio kaj la lerte konstruita historio faras ĝin preskaŭ perfekta. Kompreneble, kompare kun la nuntempa tekniko de filmofarado, ĝi aspektas eble iom naiva kaj simpleca, sed ĉi tio nur aldonas pli da nerezistebla allogo al la filmo.

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Reala travivaĵo aŭ sonĝo?

Reala travivaĵo aŭ sonĝo?
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Aŭtuna scenejo: eta stacidomo de urbeto norde de Viĉenca, en nordorienta Italujo inter Verono kaj Venecio, dek kilometrojn malproksime de la domo de miaj gastigantaj parencoj, pli-malpli je la naŭa matene. La malgranda stacidomo troviĝas meze de tutebena kamparo for de iu ajn domo. La ĉielo estas hele griza; aŭdeblas pepado de birdoj kaj, de malproksime, brueto de trafikigata aŭtoŝoseo.

La pordoj kaj fenestroj de la stacidometo estas fermitaj kaj la loko estas tute senhoma; ĝin ja vizitadas nur laboristoj je fiksitaj horoj por veturi al kaj el la urboj. Flanken irante mi atingas la kajon inter la konstruaĵo kaj la ununura trako, kiu rekte etendiĝas norden kaj suden tra la kamparo. Mi venis ĉi tien por atendi esperantistan amikon. Mankas ankoraŭ 20 minutoj al la alveno de la elsuda trajno, kiun mi atendas. Por min sidi, mi alproksimiĝas al la benko apud la stacidoma muro kaj tiam mi rimarkas sur ĝi, nigran ŝtofvalizeton, ŝajne ujon por filmokamerao âu profesia fotilo.

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Pilko el bambuo eksplodigas minojn

Pilko el bambuo eksplodigas minojn
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Elmigrinta afgano disvolvis globon kiu povus solvi la mondskalan problemon pri teraj minoj. Kaj la popecaj kostoj estus nur 40 eŭroj.  Ĝis nun la sendanĝerigo de mino kostis 1200 eŭrojn.

La “Mine Kafon” moviĝas per la nura forto de la vento kaj ruliĝante eksplodigas terajn minojn.

Sian infanaĝon pasigis Massoud Hassani en Afganistano. La hodiaŭa 29-jarulo plenkreskis en lando en kiu la milito estis reganta faktoro de la civila ordo. Liaj infanaj ludiloj en tio ne prezentis escepton. Kiu ludas en la dezerto, troviĝas meze de milito – eĉ se ne plu okazas bataloj. Teraj minoj krevigis liajn ludilojn. Kaj tiuj minoj ne nur en

Afganistano kostis sennombrajn homajn vivojn.

Kiel junulo Hassani elmigris al Nederlando. Hodiaŭ li tie laboras kiel produktodezajnisto – kaj kunigas sian pasintecon kun la nuntempo. Li disvolvis rimedon kiu baziĝas

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Korvarmiga kunveno en Prago

Korvarmiga kunveno en Prago
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Mia alvoko en la sonartikolo “Vizitoj al najbaraj ĉefurboj” antaŭ unu monato estis sukcesa. Mi tie ja anoncis mian intencon viziti la urbon Prago ankoraŭ dum decembro. Kaj jen venis pozitiva reago: Kontaktis min s-ro Jiři Patera kiu prizorgas la E-klubon de Prago kaj li invitis min paroli pri la Esperanta Retradio en la festa klubkunveno la 13-an de decembro.

 

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Esperanto na UnB

Esperanto na UnB

Às vésperas da aprovação final do Projeto de Lei 6162-2009, que introduz o ensino do Esperanto nas escolas de nível médio do Brasil, a Universidade de Brasília-UnB acrescentou oficialmente o Esperanto às 12 línguas atualmente ensinadas naquela universidade.

O objetivo principal do curso de 180 horas é a capacitação adicional de atuais professores de línguas estrangeiras para o ensino do Esperanto.

O curso se destina ao público geral adulto, com um programa especial para professores de línguas no terceiro semestre. Objetiva-se que os concludentes do curso se capacitem para obter aprovação no nível C1 dos exames do Quadro Comum Europeu de Referência para Línguas, conhecido como KER no meio esperantista.

As aulas acontecerão no campus da Asa Norte da UnB, duas vezes na semana, às segundas e quartas-feiras sob a direção dos professores Paulo Nascentes e Josias Barboza.

Esta conquista de espaço na Universidade abre caminho para um passo ainda mais importante para a evolução do ensino do esperanto no Brasil, o curso de pós-graduação Latu sensu, sugerido pela própria direção da UnB. As providências necessárias já estão em andamento e esperamos poder anunciar esse curso de especialização já no início do próximo ano

Reportagem UnB Idiomas

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