Lucas conhece a Europa com prêmio da Liga Brasileira de Esperanto

Lucas conhece a Europa com prêmio da Liga Brasileira de Esperanto

Sempre tive o sonho de conhecer o mundo, conhecer outras culturas, fazer amigos fora, mas sempre esbarrei em falta de grana e contatos. Ao
mesmo tempo, não queria ser turista, já tinha percebido que os turistas não conhecem nada do lugar e das pessoas.

 

Um belo dia, escapando de uma aula de cálculo do meu curso de Física na Unicamp, esbarrei com um cartazinho de aulas gratuitas de Esperanto, era uma
vez por semana, curioso como eu sou, resolvi participar. Acabei me apaixonando pela coisa, afinal a língua é muito divertida e bonita, e pasmem descobri que o Esperanto é vivo, e muito, e de cara a possibilidade de conseguir hospedagem mundo afora me animou muito.

 

Depois de um ano, já podia bater papo tranquilamente, e já não precisava ficar mais estudando nos livros, já podia aprender praticando.
Mal tinha começado a dar aula, um ano depois, descobri de um concurso muito interessante, o participante tinha que escrever uma monografia sobre barreiras religiosas em Esperanto e defendê-la no congresso brasileiro de Esperanto.

 

O prêmio: uma viagem de 3 meses a 1 ano na europa como representante cultural. Caiu como uma luva prá mim, apesar de estudar físicas, sempre tive um pézinho nas humanas, e queria muito estudar antropologia, foi a desculpa perfeita, e ainda mais sobre um tema tão interessante quanto esse. Me esforcei bastante, e no final caí no chão de alegria quando me escolheram como vencedor.
E fiz uma viagem, não, uma viagem maravilhosa, em cada aspecto dela, eu não podia conceber um prêmio melhor: imagine se tivesse ganhado na mega-sena, que problemão administrar todo aquele dinheiro, quanta responsabilidade.

Meu prêmio eram passagens e uma missão. Acabei aprendendo muito sobre minha própria cultura, me apaixonei pelo Brasil, eu tinha que preparar palestras sobre a nossa cultura, acabei mergulhando na nossa música, e no que eu achei que o Brasil tinha de mais peculiar e especial. O tempo todo me descobria brasileiro, não tinha noção do que era isso, não sabia o quão distantes éramos da cultura européia.

 

Em todo lugar eu era muito bem acolhido pelos esperantistas, fiz verdadeiros amigos, experimentei o cotidiano de muitas famílias, mergulhei em outras culturas, e se comunicando através do Esperanto eu tinha uma via de comunicação maravilhosa. Por exemplo, era como se o espanhol falasse um Esperanto e eu falasse outro, mas nos entendíamos perfeitamente por causa da sólida e simples base comum do Esperanto, e ao mesmo tempo o estilo de cada um muito revelava sobre o modo de pensar deles. Às vezes eu até esquecia que estava falando o Esperanto.

Na espanha especialmente conheci combinações nunca dantes imaginadas de palavrões, me divertia horrores, prá mim o Esperanto é uma língua simples, lúdica e riquíssima, com variantes regionais muito ricas.

 

Ao todo, em seis meses, visitei 40 cidades e 11 países, dei 40 palestras sobre música brasileira ou cultura brasileira para públicos os mais diversos. E também é lógico fiz um tanto de turismo, conheci muitos lugares históricos, e com frequencia o amigo esperantista fazia uma de guia turístico, acabava
conhecendo muito mais que um turista desavisado. Foi tanta informação, tanta gente que no final eu tava até um pouco tonto.

 

Foi muito bom o fato de eu ter uma missão, por causa disto todos tinham uma atitude solidária comigo, e me ajudavam a cumprir bem minha missão, por isso tenho a sensação que minha viagem não foi um projeto só, foi um projeto realizado de muitos. Fiquei com uma sensação enorme de gratidão por eles, e por todos aqui no Brasil que colocam o movimento esperantista prá frente. E fiquei com uma forte impressão que o Esperanto está aí prá isto mesmo, para colocar culturas em contato, melhor para colocar almas de diversos mundos em contato.

 

Me sinto mais brasileiro, e mais pertencente a um mundo. O Esperanto prá mim teve um valor prático enorme, mas o valor que ele teve prá minha vida é infinito, com ele conheci gente que agora mora fundo dentro do meu coração. Ficou uma vontade de fazer algo por este mundo, tão capenga, tão bonito e tão imenso. E tenho a certeza que o Esperanto é uma das ferramentas fundamentais.

Lucas Vignoli

lucasvignoli.multiply.com

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