Esperanto é coisa séria!

Esperanto não é língua universal. Talvez, estranhem essa frase, mas o Esperanto foi criado para ser língua internacional. Língua neutra entre os povos. Língua de todos, antes mesmo que tenhamos consciência desta língua. É como nosso ar que respiramos, que pertence a todos e, às vezes, nem notamos que ele existe. Esperanto não pertence a nenhuma nação, pois pertence a todas as nações. Esperanto não é como inglês. Esse sim é uma língua nacional e que tem sido imposta como universal. O inglês não pertence aos brasileiros, mas lhes é imposto como uma língua universal e sem alternativas culturais equânimes. O inglês é uma língua para ganhar dinheiro e não cultura. Além disso, somos sempre estrangeiros ao falar inglês. No entanto, consagradamente, o inglês é importante para o mundo de hoje, mas temos que dar chance ao mundo de poder conhecer uma alternativa de língua democrática. Com o Esperanto é diferente, ele é nosso por princípio, é uma língua de direitos humanos consagrados. Como ele é para todos, não faz discriminação de ninguém. A sintonia do Esperanto é a paz e a compreensão. Ele nos traz os princípios de um mundo melhor.

Esperanto é uma língua política. Sim, o Esperanto é uma língua planejada para ser uma língua política de democracia lingüística. É um filho da revolução francesa em que a tônica principal é a liberdade de expressão, a igualdade entre as mentes e a fraternidade entre os homens das diversas nações. O Esperanto é um libelo da paz, um cadinho cultural, onde se pratica a internacionalização das idéias; forma sempre um amálgama de contatos multinacionais, onde todos são importantes e no qual todos têm a sua vez de falar. É democracia internacional pura. Todos são iguais na internacionalização dos contatos humanos, por isso oferecemos a paz como um veículo para a humanidade chegar a seu futuro. É uma língua supranacional e de conservação cultural dos povos e suas línguas. A UNESCO já reconheceu isso e o Vaticano também. Mas as nações precisam conhecer o Esperanto mais profundamente e o Brasil tem essa chance política, como nação emergente, de mostrar o seu empenho de internacionalização da igualdade cultural. Estamos em um mesmo planeta e em termos de democracia lingüística, só a conseguiremos com o Esperanto.

Esperanto também é brasileiro. Talvez não saibam, mas somos um dos países do mundo com mais esperantistas. Somos muitos e temos história centenária no uso do Esperanto. Grandes autores e artistas acariciaram essa língua dúctil. Fosse um Olavo Bilac, fosse um Cruz e Souza ou o nosso querido Guimarães Rosa. Todos lutaram por nossa língua, hoje praticada com muito orgulho por todos esperantistas no Brasil. Sabiam que não sentimos mal se cantarmos nosso hino nacional em Esperanto? (YouTube) E se fosse em inglês, ao invés do português? Talvez essa pequena mostra demonstre como o Esperanto também é nosso, assim como de todo mundo. Esperanto é neutro. Não ofende nações, ao contrário, as integra através da compreensão. Ser esperantista é ser um pouco mais brasileiro, pois estamos defendendo a nossa cultura através do Esperanto.

 

Adonis Saliba

 

 

 

Adonis Marcelo Saliba Silva 1952 é metalúrgico e esperantista, nascido em Minas Gerais e autor de métodos de ensino do idioma esperanto

  • asalibabr@gmail.com

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