Do UK ao IJK

Escrito por em Aug 8, 2012 em Blog, rafael | 265 comentários

Do UK ao IJK

Escrito na segunda-feira dia 6 de agosto.

O resto do UK e início do IJK

Fiquei diversos dias muito atarefado para escrever e também sem acessar a internet, às vezes por falta de tempo, outras por não ter sinal de internet disponível.

Na quinta-feira participei do Concurso de Oratória da UEA. Me inscrevi de última hora, instigado pelo Michael Boris, que queria um representante da América no concurso. Falei de improviso e meu discurso ficou em segundo lugar, sendo que o Michael foi o vencedor, a Lee, coreana muito simpática, ficou em terceiro lugar e o Jérémie Sabyumva do Burundi ganhou menção honrosa. Porém, somente este último compareceu à cerimônia de premiação, durante o encerramento do UK, pois os demais vencedores decidiram passar o fim de semana na baía de Ha Long, principal atração turística do Vietnã e uma das 7 maravilhas da natureza segundo a Unesco.

No mesmo dia, após o concurso, fui escolhido como membro de uma delegação de esperantistas que foi jantar com o prefeito de Hanói no hotel Daewoo. Nossos ônibus saíram do hotel Meliá na hora do rush escoltados por carro oficial que abria caminho para nós no trânsito. Ao chegar no hotel fomos recepcionados por um verdadeiro batalhão de funcionários do hotel elegantemente vestidos em trajes típicos do país e levados para um salão muito bonito com mesas elegantemente decoradas, onde assistimos apresentações de danças e musica tipicas do Vietnã. Em seguida algumas autoridades discursaram e nos serviram um delicioso banquete. Na saída cada membro de nossa delegação foi premiado com um livro de fotografias de Hanói, uma medalha comemorativa do centenário da cidade e um belo vaso de cerâmica Bát Tràng que ocupa um terço do espaço da minha mala e que possui inscrições em esperanto lembrando a ocasião.

Meu convite para jantar com autoridades locais no Hotel Daewoo

Foi particularmente interessante para mim o contraste entre o banquete que me serviram na janta e o meu almoço, uma sopa típica do país feita com carne de ganso, macarrão e vegetais frescos, pois almocei com amigas vietnamitas no lugar onde elas costumam almoçar: no meio da rua, o que é muito comum por aqui, as pessoas se sentam em banquinhos extremamente baixos ao redor de mesas no meio do calçada e comem, bebem, conversam e se divertem, em um ambiente muito gostoso que o turista tradicional não experimenta, até porque as vendedoras não entendem língua estrangeira. Para o esperantista é muito mais fácil se misturar com o povo e conhecer profundamente seu modo de vida, e isso me encanta. As pessoas aqui são muito amigáveis, muita gente me cumprimenta na rua, e os que dominam alguma língua estrangeira às vezes tentam se comunicar comigo. Aliás, os vietnamitas adoram conversar.

Na sexta-feira excursionei ao Pagode Perfumado, e para chegar lá é necessário viajar de barco durante uma hora, subir uma grande escadaria e depois pegar um teleférico. O lugar é lindo e me chamou a atenção o fato de que às margens do rio existe sinalização de trânsito para os barcos!

Mulher vietnamita estacionando sua canoa perto do Pagode Perfumado

No fim de semana fomos em um grupo de aproximadamente 10 esperantistas visitar a baía de Ha Long. Foi uma viagem longa até Halong, por isso decidimos ficar lá no fim de semana e fazer uma passeio de dois dias. Embarcamos na hora do almoço e fomos recebidos a bordo com um coquetel, depois almoçamos e seguimos para uma região onde passeamos de caiaque e visitamos uma ilha. Começou a chover quando estávamos navegando de caiaque no meio do mar, daí contornamos uma ilha e voltamos para o “porto”, uma casa flutuante. Havia um guia acompanhando a gente o tempo todo e não choveu forte, mas as ondas deixaram o passeio um pouco mais emocionante, embora não muito, pois todo o percurso foi tranquilo e a chuva ajudou a refrescar, pois por aqui a água dos rios e do mar costuma ser morna, só a da chuva é levemente fria. Depois fomos a uma ilha, onde subimos até um mirante e depois nadamos no mar.

Esperantistas no cume da ilha

No barco, dividi com o Michael uma suíte muito confortável. Nos serviram jantar, sendo que nós mesmos fizemos os rolinhos primavera (diferentes dos que a gente come no Brasil), supervisionados pelo chef, após tomarmos banho e também teve um Happy Hour com drinques na faixa: tomei uma marguerita e ganhei um Cosmopolitan Ha long. Depois fomos relaxar no último andar do barco vendo as estrelas deitados em confortáveis cadeiras de palha, acabei dormindo.

No dia seguinte visitamos uma caverna muito bonita em outra ilha, voltamos para o barco e seguimos para o porto enquanto o chef nos ensinava a fazer flores de pepino e de cenoura, que embelezam os pratos servidos em restaurantes por aqui. Comemos em um restaurante e voltamos para Hanói.

À noite, coordenei a “interkona vespero” (noite de confraternização). Quando me convidaram para fazer esse trabalho, me disseram que a Le Minh Thu apresentaria a atividade comigo, mas depois disseram que ela não poderia e eu fiz isso sozinho. Não sei quem se divertiu mais, se os congressistas que participaram das atividades ou eu que coordenei tudo. Depois começou uma balada com DJ vietnamita tocando música em diversas línguas, tocou até a versão brasileira do Kuduro, mas fiquei pouco tempo na festa, pois tive que ir para o quarto estudar o cerimonial da abertura do congresso e ler os relatórios da TEJO para as reuniões do conselho, que começam hoje, e nas quais representarei o Brasil.

Fernando Maia Jr. saúda os congressistas em nome da BEJO na abertura do IJK

Hoje, segunda-feira, de manhã, fomos para um belo auditório onde ocorreu a abertura do congresso. Usei uma gravata vietnamita para atuar como mestre de cerimônia. Tudo correu bem, o ambiente estava muito agradável e durante o discurso do Dr. Probal Dasgupta, presidente da UEA, ele me chamou e me entregou o meu prêmio no concurso de oratória. A cerimônia teve cobertura de diversos órgãos de imprensa vietnamitas e contou com a presença de algumas autoridades locais, mas apesar disso fiquei muito calmo o tempo todo, mesmo com as mudanças de última hora que fizeram no “script”. Tudo deu certo e me orgulho de ter tido a oportunidade de conduzir esta bela cerimônia neste país que a cada dia se torna mais especial para mim. Aliás, não sei bem porque me escolheram para esta função, mas muitas vietnamitas dizem que adoram conversar comigo por causa da minha voz. Será que se eu aprender a língua local receberei propostas para trabalhar como apresentador de televisão?

Mestres de cerimônia voltados para a estátua de Ho Chi Minh durante a execução dos hinos na abertura do IJK

Comentários estão fechados.