Ekskursa tago

Escrito por em Jul 25, 2013 em Blog, rafael | 265 comentários

Trator em plantação de feno

Trator em plantação de feno

Na quarta-feira, ou seja, no meio do congresso, temos o “Ekskursa tago”, ou dia de excursões, com várias opções de passeios. No ano passado aproveitei que no Vietnã tudo é barato e passeei bastante, pois todo dia tem uma excursão, a diferença é que há uma excursão por dia, exceto na quarta, quando há várias excursões e não há palestras, reuniões, etc.

Assim como a maioria dos jovens, eu escolhi o Círculo Dourado, justamente a excursão mais barata, mas também a mais adequada para conhecer diversos lugares em um dia: fomos a uma cidadezinha, depois visitamos uma cachoeira, o Grande Gêiser e o Parque Nacional de Pingvellir, onde se pode ir da Europa para a América em um passo: é lá que as placas tectônicas da Eurásia e da América do Norte se dividiram, com fortes erupções vulcânicas que formaram a Islândia.

Diversos passeios turísticos da Islândia possuem o nome Círculo Alguma Coisa, isso porque consistem em roteiros circulares, indo por um caminho e voltando por outro, e cada um tem suas atrações. Alguns esperantistas foram para o mar observar baleias, e teve ainda os que foram de avião passar um dia na Groenlândia.

Cachoeira na Islândia

Cachoeira na Islândia

A cidadezinha que visitamos é realmente minúscula. Nela há uma igreja antiga, um museu embaixo da igreja e uma casa como as das antigas fazendas islandesas, feita de madeira e coberta pela vegetação. De lá seguimos para a maior cachoeira da Europa, a Detifoss. No caminho contornamos o vulcão Eyjafjallajökull, cuja erupção em 2010 fechou todos os aeroportos da Europa por causa da fuligem no céu. Almoçamos ao lado da cachoeira. Ao fundo era possível ver as geleiras que geram o rio onde a cachoeira se encontra. Elas estão diminuindo de tamanho devido ao aquecimento global.

Ao longo das estradas era possível ver belas paisagens: montanhas, geleiras, plantações de feno, turistas passeando montados nos belos cavalos islandeses. No começo da viagem vimos uma usina geotérmica (toda a eletricidade produzida na Islândia é de origem geotérmica, aproveitando as características peculiares de um lugar cheio de vapor e vulcões).

O Grande Gêiser joga vapor a uma altura de vinte metros. Fiquei bem perto dele e contra o vento, recebendo vapor na cara. Estava ciente de que quando viesse o jato ficaria cercado de vapor quente, mas como não ultrapassei a linha de segurança, tinha certeza de estar seguro. O jato surge de repente e quem fica no local onde eu estava toma um banho de vapor. Foi uma experiência um tanto assustadora, pois embora consciente de estar em total segurança, vi em uma fração de segundo uma gigantesca fumaça branca me cercar por todos os lados, fechei os olhos, senti o jato quente no rosto e o cheiro de enxofre.

O Grande Gêiser visto do topo da montanha

O Grande Gêiser visto do topo da montanha

Mas o mais legal no Grande Gêiser foi subir a montanha ao lado dele e ver tudo do alto: paisagens maravilhosas, vista para todos os gêiseres do local (são vários) e também para paisagens bucólicas, com fazendas e rios. Para ir até a montanha é preciso atravessar uma cerca (não entendi o motivo da cerca, pois não havia animais ali) por uma escada.

Pingvellir é maravilhoso. Há um paredão de rocha marcando o encontro das placas tectônicas, um rio, e diversas paisagens de quebra-cabeça. Por onde se anda há diversas flores e, claro, muita rocha.

Eu e a Flama, na falha geológica que separa América do Norte e Europa

Eu e a Flama, na falha geológica que separa América do Norte e Europa

Está quente aqui, nos últimos dias só precisei de blusa à noite, e em Pingvellir fiquei com muita vontade de pular no rio para me aliviar do calor. Os islandeses, ao contrário, se divertem deitando na grama com pouca roupa para pegar um bronzeado, eis uma cena muito comum por aqui nesses dias. No fim da tarde é necessário usar blusa por causa do vento.

À noite teve show do Kimo em um bar de Reykjavik, com direito a show de abertura de uma banda local. Depois o Kimo tocou sozinho, a banda local voltou e tocou duas músicas com ele, depois um baterista que veio para o congresso também fez sua participação especial. Fiquei no bar até fechar, conversando com amigos e jogando um jogo parecido com o scrabble.

Show do Kimo em um bar de Reykjavik

Show do Kimo em um bar de Reykjavik

Outro dia vi uma cena engraçada: um grupo de jovens islandeses fez uma roda ao redor de um casal holandês e ficou dançando e cantando o tema do Darth Vader. Em seguida disseram “parabéns pelo novo rei”.

Descobri que o cachorro-quente daqui é considerado o melhor do mundo, e as salsichas que eles usam são diferentes das salsichas usadas em outros países. Outra curiosidade interessante: o dono do bar onde o Kimo se apresentou me explicou que na Islândia é proibido vender água (por isso todos os estabelecimentos oferecem água à vontade para seus clientes). Pode-se vender a embalagem, mas não o conteúdo, e isso aqui é levado muito a sério: se você abrir uma garrafinha de água no supermercado, beber o conteúdo ou colocá-lo em outro recipiente, não precisa pagar.

Esta noite uma delegação esperantista, da qual farei parte, será recepcionada pelo prefeito de Reykjavik, que é fluente em esperanto. Há mais de 1000 participantes neste congresso, sendo que a população da Islândia é de 320 mil habitantes. O esperanto tem um número de falantes muito superior ao de falantes do islandês, porém não tão evidente por estar espalhado pelo mundo, enquanto os falantes da língua islandesa estão, quase todos, aqui.

 

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