Esperanto e democracia?

Escrito por em Sep 14, 2012 em Blog, Frente | 265 comentários

Esperanto e democracia?

Pode uma educação transnacional nos levar ao reencontro com o Ser essencial que somos – e do qual nos temos afastado? A emancipação humana exige um instrumento de comunicação transcultural como garantia de condições iguais no diálogo.
Todos os dias, em mais de 120 países nos cinco continentes, ocorrem encontros internacionais sem a necessidade dos dispendiosos serviços de tradução. Neles, em vez da língua nacional de alguns poucos, a conversa vem na língua internacional neutra Esperanto. Esse encontro entre iguais lembra um simbólico aperto de mão linguístico entre irmãos.
Prevalece o que em nós é essência, e não circunstâncias como etnia, língua ou nacionalidade. Queremos ser emancipados e livres entre cidadãos igualmente livres e emancipados? Nesse caso, a educação deve preservar as diversas culturas, mesmo as tribais e minoritárias, o que significa promover, para cada pessoa, o uso da sua língua étnica e o letramento na língua nacional e em uma língua internacional comum.

Sete são os princípios para uma intercompreensão eficaz que nos permita vencer os desafios propostos pela crise atual. Nem a globalização desta ou daquela língua nacional, nem as novas tecnologias de comunicação, nem a adoção de novos métodos de ensino de línguas vão garantir esses princípíos essenciais para a manutenção de uma ordem linguística justa e eficaz.

1. Democracia
Um sistema de comunicação que privilegia algumas pessoas, mas exige das demais enorme esforço, anos a fio, para alcançarem uma capacidade de comunicação inferior à dos falantes nativos é, na essência, antidemocrático. A desigualdade linguística acarreta desigualdades de comunicação em todos os níveis, inclusive no nível internacional. Já aconteceu com você se sentir sem escolha ao negociar em que língua falar com um oriental, por exemplo, e ver que o idioma dito internacional imposto a vocês trouxe enormes dificuldades e complicações na pronúncia, na falta de vocabulário ou no uso de expressões idiomáticas e que a tentativa de comunicação deixou muito a desejar? No máximo, as compras. Jamais uma conversa plena…
2. Educação transnacional
Como chave para a solução da barreira das línguas, esse o ponto a enfatizar. Toda língua étnica está ligada a determinada cultura e a determinada nação ou conjunto de nações. Por exemplo, quem estuda inglês faz contato com a cultura, a geografia e a política dos países anglófonos, principalmente Estados Unidos e Grã-Bretanha. A educação transmitida por meio de uma língua étnica está necessariamente ligada a determinada perspectiva sobre o mundo. Uma educação transnacional, ao contrário, nos põe em contato com o colorido variado das mais diferentes culturas. Além de ampliar nossa receptividade ao diferente, com a valorização da riqueza das culturas tribais, com seus saberes tradicionais e úteis, ela nos dá meios e modos de enfim nos tornarmos de fato cidadãos planetários. Partilhar uma língua neutra com os que a usam traz a vantagem da participação plena nas ações de organismos do terceiro setor, ongs e entidades que promovem a cultura de paz e a proteção ambiental. Como convidados e mesmo hóspedes dos moradores locais, jamais seremos apenas turistas levados só a lugares sugeridos por agentes de viagem, vendo paisagens pela janela de vãs e ônibus. Ao contrário, ter amigas e amigos prontos a nos mostrar seu dia-a-dia, como se faz na cultura esperantista, em todo o mundo, é muito mais divertido. Posso garantir!
Embora em Educação o alcance de certas medidas só possa ser avaliado após algumas décadas, do ponto de vista individual as vantagens são imediatas, tão logo se possa comunicar em Esperanto. Por se tratar de uma língua mais fácil de aprender do que a maioria das línguas nacionais, a distância entre o aprendizado e o uso fica bem menor. Lógica, simplicidade fonética e gramatical, ausência das temíveis exceções e o vocabulário internacional – que se multiplica com novas palavras formadas com o auxílio de cerca de 30 prefixos e sufixos – isto acelera a aquisição da língua. Em Esperanto você amplia seu vocabulário de forma rápida e divertida. É como combinar blocos coloridos no uso do conhecido brinquedo Lego.
3. Eficácia pedagógica
Pesquisa recente mostra que só uma pequena percentagem dos que estudam uma língua estrangeira são capazes de dominá-la. As dificuldades das línguas étnicas constituem um obstáculo permanente para muitos estudantes. Mas, usufruir do conhecimento de uma segunda língua é fundamental hoje mais do que nunca. Como sair do impasse?
4. Multilinguismo
A educação escolar deveria proporcionar a cada pessoa, independentemente da importância da sua língua materna, uma oportunidade real para dominar uma segunda língua, de forma a conseguir comunicar-se no mais alto nível presencialmente ou pela Internet.
5. Direitos linguísticos
Entre as várias línguas verificam-se desigualdades de poderes, fonte de constante insegurança linguística, ou mesmo opressão linguística, para grande parte da população mundial. Nos anúncios de emprego, é comum a absurda reserva de vagas para falantes nativos de países desenvolvidos. Essas desigualdades destroem as garantias, exaradas em tantos documentos internacionais, de igualdade de oportunidades para todos, independentemente das respectivas línguas maternas.
6. Diversidade linguística
De modo geral, os governos consideram que a diversidade linguística constitui um obstáculo à comunicação e ao desenvolvimento. Ao contrário, essa diversidade é uma fonte de riqueza constante e inesgotável. Por isso, qualquer língua, tal como qualquer espécie de ser vivo, dado o seu valor intrínseco, deve ser protegida e apoiada. Assim, a política de comunicação e desenvolvimento, se não estiver alicerçada no respeito e no apoio a todas as línguas, constitui uma sentença de morte para a maior parte das línguas do planeta.
7. Emancipação do ser humano
Qualquer língua, na medida em que dá aos seus falantes a possibilidade de comunicarem entre si, impede-os de se comunicarem com os outros: é simultaneamente uma libertação e uma prisão. No entanto, existe uma comunidade internacional que vive esses princípios hoje. E, portanto, já dispõe de instrumento linguístico adequado para o exercício da cidadania mundial em bases igualitárias. Os sete princípios aqui apresentados podem ser lidos em sua versão completa emhttp://pt.wikipedia.org/wiki/Manifesto_de_Praga
Concluindo
O mundo está de olho no Brasil. A grande mídia ignora importantes avanços. Por exemplo, tramita na Câmara, já aprovado no Senado, projeto de lei que propõe o ensino não obrigatório de Esperanto no nível médio. Você sabia? Na justificativa, o professor Cristovam Buarque defende a cultura de paz associada à Língua Internacional desde sua criação, há 125 anos, pelo então jovem humanista Lázaro Ludovico Zamenhof. Afinal, a emancipação humana é direito nosso. Imperialismo cultural e linguístico pertence aos estertores da velha ordem.
Serviço
Esperanto é uma das 14 línguas ensinadas no UnB Idiomas. Mais informações no portal
http://unbidiomas.net/index.php/cursos-sequenciais/esperanto

Uma resposta para “Esperanto e democracia?”

  1. Argeam Teles de Faria says:

    Pode até aprender, porque o Esperanto no seu sistema e organização possibilita para tanto, mas, precisa muito esforço e dedicação, além de material didático. É também muito importante ter um monitor para acompanhar o aprendizado e quando já apto se comunicar pela internet com outras pessoas ou grupos esperantistas.