Final do FESTO e viagem para Israel

Escrito por em Aug 18, 2013 em rafael | 265 comentários

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Escrevo no avião, enquanto viajo para Israel para participar do IJK – Congresso Internacional da Juventude. Quem acompanhou minha viagem ao Vietnã no ano passado sabe que fui para aquele IJK graças a um fundo que premia jovens esperantistas estrangeiros, e esse ano um dos premiados foi meu amigo Allan, do Rio de Janeiro, e outro dos cinco ganhadores do concurso foi minha amiga Veronika, da Hungria. Viajo com a Flama, compramos passagens para os mesmos voos justamente para viajar juntos, mas ela precisa de visto e não conseguiu obtê-lo no Vietnã devido a uma greve nos consulados israelenses, quando a greve terminou ela estava comigo na Europa, e só ontem conseguiu pegar o visto, na embaixada em Bruxelas. Eu fiquei em Kelmis para curtir o FESTO e viajei de manhã. Agora está tudo em ordem, e o pessoal está chegando em Israel: Richard nos encontrará no aeroporto em Tel-Aviv e de lá seguiremos juntos para um albergue onde passaremos a noite e no dia seguinte iremos para uma excursão de dois dias em Jerusalém, organizada pelos organizadores do IJK. Duas amigas vietnamitas já estão lá: Le Minh Thu (que foi se despedir de mim no aeroporto em Hanói há um ano) e Ĝojo (quem me recebeu no aeroporto em Hanói). Além delas sei que o Jéremie conseguiu visto e estará conosco, e festejaremos nosso reencontro.

Johnny M e Platano cantando rap no FESTO

Johnny M e Platano cantando rap no FESTO

Voltando ao FESTO, o show do Kimo com o Martin Wiesse foi excelente, tocaram muitas canções do Amplifiki e empolgaram a galera. Após o show eles desceram do palco e receberam um abraço coletivo dos fãs, quase todos jovens o suficiente para nunca antes terem visto os dois tocando juntos (o Amplifiki terminou há mais de 20 anos), e na minha última noite em Kelmis teve show do Martin tocando canções do Persone (banda que sucedeu o Amplifiki) e de seu repertório solo, incluindo canções inéditas que estarão no novo disco.

Além dos shows tivemos uma excursão de carro: foi feita uma lista de motoristas que se dispunham a levar as pessoas e outra de pessoas interessadas em participar da excursão, e assim organizamos um comboio com carros de diversos países, cada um com um monte de pessoas de diferentes nacionalidades dentro dele. O passeio consistiu na visita à tríplice fronteira entre Holanda, Bélgica e Alemanha, e depois a uma abadia onde fabricam cerveja. O pessoal do BEMI organizou uma excursão de bicicleta, mesmo roteiro, mas pedalando ao redor de uma antiga ferrovia ao invés de usar estrada, e algumas pessoas foram a pé até a tríplice fronteira, mas não visitaram a abadia.

A fronteira é um lugar muito interessante, há um obelisco marcando o ponto onde os três países se encontram, e de lá surgiu a demarcação do território neutro que um dia existiu, e que por algum tempo foi um país esperantista. A história é complicada, mas basicamente tudo começou com uma disputa de fronteiras entre a Prússia e a Holanda após a derrota de Napoleão em Waterloo, e no fim, por ser um território minúsculo sendo disputado por três países (Holanda, Bélgica e Alemanha), acabaram fazendo um acordo para aquele território ser neutro, até que veio a primeira Guerra Mundial, a Alemanha invadiu a Bélgica e ocupou o território neutro. Aliás, próximo à fronteira há um monumento em homenagem aos belgas que morreram após a ocupação alemã tentando fugir para a Holanda e lutar para terem seu país de volta. Muitos morreram ali, tentando atravessar cercas de arame farpado eletrificado colocadas pelos alemães para impedir tais fugas, e com a sucata da guerra fizeram um monumento singelo, mas tocante: um mero cubo de metal comprimido. Também na tríplice fronteira há, do lado holandês, um marco curioso: trata-se do ponto mais alto do país, famoso por sua baixa altitude.

E seguimos para a abadia do Vale de Deus. Há uma lenda (e dizem ser somente uma lenda), segundo a qual o local se chamava Vale do Diabo, e foi rebatizado como Vale de Deus pelos monges que ali se instalaram no séc. XIII. Durante a idade média havia risco considerável quanto ao consumo de água, as condições de higiene eram péssimas e os monges precisavam estar bem nutridos para aguentar a rotina de trabalho, e foi assim que começaram a fabricar cervejas em abadias e mosteiros. A Bélgica é famosa por suas cervejas, muitas delas com receitas desenvolvidas por monges, e monastérios trapistas abundam no país.

No bar do FESTO tínhamos duas marcas de cervejas trapistas, e experimentei ambas. Os monges trapistas são de uma ordem muito específica dentro da igreja católica, e se dedicam a essa arte milenar de fazer cerveja. Me disseram que eles fazem voto de silêncio, e na abadia me explicaram que há no mercado muitas cervejas de receita trapista, mas para ser genuinamente trapista é necessário cumprir três condições: a cerveja deve ser feita exclusivamente pelos monges trapistas, deve ser feita dentro de um mosteiro e todo o lucro obtido com a venda da cerveja deve ser distribuído aos pobres. A abadia que visitei tem uma fábrica de cerveja que ficou inativa por dois séculos, até que uma fábrica de cerveja propôs fabricar cerveja ali, sob supervisão dos monges e seguindo as receitas originais, e a abadia recebe parte dos lucros, mas a cerveja não é certificada como trapista. Após conhecermos a fábrica, degustamos duas das seis cervejas, uma blonde e uma tripel, e um dos queijos fabricados ali.

Ao chegar da excursão, tive uma agradável surpresa: meus amigos Maarten e Juliana, de Fortaleza, haviam chegado para curtir os últimos dias do evento (que termina hoje, tive que viajar um dia antes para passear em Jerusalém, mas esta noite o pessoal em Kelmis assistirá shows de Johnny M e DJ Leo Sakaguchi).

Eu quase consegui carona para Bruxelas, mas o rapaz que ia me dar carona já tinha combinado de levar o Ĵomart e a Nataŝa, com seus instrumentos musicais, e aí não haveria espaço para mim. Além disso, O Matheus, adido cultural da BEJO, viajou comigo para Bruxelas e está esperando no aeroporto, já que o voo dele sai de manhã e não tem trem de madrugada. Viemos ambos de trem, viagem tranquila e rápida. A Flama me aguardava em Bruxelas, onde dormiu na casa de uma amiga, mas quando ela viajou atrás do visto não levou mala, então tive que viajar com a mala dela. O Matheus decidiu viajar só com uma mochila para Israel, e ao voltar à Europa sua mala estará esperando por ele em Bruxelas, na casa de um samideano. Éramos duas pessoas com duas malas, e ele me ajudou com a mala da Flama. No aeroporto, assim que subimos a escada rolante, vimos a Flama na escada oposta, e nos reencontramos. Depois de despachar malas e comer, nos despedimos do Matheus e seguimos viagem.

Atualização: chegamos em Tel-Aviv e não encontramos o Richard, mas nosso amigo Dror estava nos esperando na estação. Enquanto caminhávamos em direção a ele, Le Minh Thu nos viu e veio correndo como doida na nossa direção. Nos abraçamos e em seguida vieram duas outras vietnamitas, a Ĝojo e uma outra garota que até então eu não conhecia, chamada Tràn. O Dror nos levou até seu carro e colocamos as malas nele, para ele nos levar até o albergue, mas como só podia haver 4 pessoas no carro (cinco lugares, com uma cadeirinha de bebê ocupando um deles), duas pessoas tiveram que ir de trem, fomos eu e Tràn. Na estação todas as informações estavam em hebraico e árabe, mas conseguimos achar o trem certo e descer na estação certa. A estação tinha duas saídas, e saímos pelo lado errado, mas depois conseguimos achar o Dror e deu tudo certo. Dormimos e de manhã seguimos para Jerusalém de ônibus. Acabei de chegar em Jerusalém e daqui a pouco Amri Wandel, que estava comigo em Reykjavik, virá aqui para nos levar para passear pela cidade pelos próximos dois dias e daqui iremos para Nazaré, onde acontecerá o IJK. Ao chegar no hotel em Jerusalém, encontrei Johannes e Richard. Em breve mais gente se juntará ao nosso grupo. Ficarei devendo as fotos dessa vez, pois o tempo é curto e ainda não fotografei nada em Israel, só andei com malas por aí. Em breve mais notícias.

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