Hameln

Escrito por em Jul 31, 2013 em Blog, rafael | 265 comentários

Viajar de trem pela Europa muitas vezes implica em trocar de composição o tempo todo, normalmente tendo pouco tempo para isso. Na Alemanha há diversas companhias que operam as linhas ferroviárias, diversas categorias de trem, boa disponibilidade de horários e facilidades para pegar outro trem no caso de alguma mudança de itinerário ou horário. Devido à indefinição do meu itinerário, o Lars, coordenador do programa, comprou para mim um Bahn Ticket e as demais passagens de que necessitei, incluindo um Niedersachsen-Ticket, que dá direito a viajar o dia todo por qualquer trem das categorias mais baratas (não vale para IC, EC e ICE, que são os mais rápidos e confortáveis). Papelada pronta, instruções minuciosas do Lars de qual cartão usar em qual trecho, em quais estações fazer baldeação e lá fui eu para a estação principal de Hamburgo pegar meu primeiro trem.

Estação Central de Hamburgo: início da viagem

Estação Central de Hamburgo: início da viagem

A Jutta me levou até a estação. Fomos de metrô e não precisei pagar, pois o Niedersachsen-Ticket também vale para transporte urbano. É comum haver dois trens parados em seções diferentes da mesma plataforma, e o tráfego ferroviário por aqui é impressionante, e quando um trem sai da plataforma outro chega e ocupa o lugar que estava vazio. Enquanto esperava meu trem fui surpreendido pela passagem de um trem com vagões para carros atrás dos vagões para passageiros. A Jutta me explicou que em alguns trens é possível embarcar com o carro e retirá-lo ao chegar ao destino. Embarquei em um trem de dois andares da empresa Metronom (agora entendi o que significa essa palavra, que aparece na letra da música Berlino Sen Vi, do Inicialoj DC), troquei de trem três vezes até chegar em Hameln, ou Hamelin como a cidade é conhecida no Brasil.

Um esperantista muito simpático chamado Klaus estava esperando por mim na plataforma. Ele me levou até seu carro e de lá seguimos para Fischbeck, vilarejo vizinho, onde sua esposa Monika nos esperava com uma torta e um café. Comemos enquanto conversávamos, e depois fomos conversar no jardim. A casa deles tem um jardim muito bonito e aconchegante, assim como as casas vizinhas.

Com a estátua do flautista

Com a estátua do flautista

Depois de uma hora de conversa seguimos para Hameln, onde Klaus e Monika me mostraram a cidade. Tudo lá tem nome que lembra rato ou flautista. No centro histórico há estátuas sobre a história do Flautista de Hameln, além de placas metálicas com ratos em relevo em alguns lugares do chão, ratinhos desenhados em cantos de parede, etc. No centro da antiga cidade há um prédio com diversos sinos e uma portinhola por onde passam bonecos que encenam a história do flautista, espetáculo anunciado pelos sinos. Visitei uma rua onde é proibido cantar, pois foi por essa rua que o flautista levou as crianças embora. E as ruas do centro de Hameln são curvas, conforme Heinz me explicou, para os invasores na idade média não conseguirem ver o centro da cidade.

Diante do museu de Hameln: Monika, eu, Flautista, Eva e Klaus

Diante do museu de Hameln: Monika, eu, Flautista, Eva e Klaus

Nos encontramos ao acaso com Eva, uma esperantista russa que não pôde ficar muito tempo com a gente, e depois veio o Heinz, presidente do clube de esperanto da cidade, Os Caçadores de Ratos. Conversamos, passeamos, e fomos para o Kommunikationszentrum Sumpfblume onde dei minha palestra. O movimento esperantista da cidade me pareceu bastante ativo, pois, apesar de tudo ter sido organizado em cima da hora, apareceu bastante gente.

Durante a palestra também bebemos, alguns preferiram cerveja, outros ficaram no refrigerante. Em seguida jantamos por lá mesmo, pois há uma cantina no andar de baixo com boas opções de comida. Já estava ficando tarde e eu precisava pegar o último trem para Hannover, o úlltimo no qual usei meu Niederseichsen-Ticket, pois após a meia-noite ele perdeu a validade e a viagem noturna para Munique foi em duas etapas, a primeira em um trem confortável, no qual dividi uma cabine de seis lugares com um menino, duas moças e um cachorro, e a segunda no trem mais tosco que já peguei, com poltronas sujas e cheirando a mofo (imagina na Copa!, como diriam aqueles que só acham defeitos no Brasil), mas pelo menos fiquei sozinho na cabine e pude esticar as pernas sem medo de machucar o cachorro. E finalmente cheguei a Munique.

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