Itália

Escrito por em Aug 5, 2013 em Blog, rafael | 265 comentários

A viagem para a Itália começou agradável: uma noite bem dormida em um trem confortável, o último trem alemão que peguei, mas como era para a Itália, saiu atrasado e chegou atrasado em Milão. Uma das primeiras diferenças que se nota entre os alemães e os italianos é justamente a pontualidade. Cada vez que um italiano diz “espere um minutinho”, isso quer dizer “espere meia hora”.

Mas o atraso não foi problema, pois teria que ficar duas horas em Milão esperando o outro trem. O Lars deixou claro que ao sair da Alemanha ele não poderia mais me ajudar, e me aconselhou a perguntar aos amigos italianos como fazer para chegar a Castellaro, cidade onde acontece o 80° Congresso Italiano de Esperanto. Meus amigos Michael Boris e Manuela me escreveram explicando tudo: deveria comprar passagem para Taggia-Arma na estação de Milão e embarcar. Ao chegar na máquina para comprar minha passagem, vi que havia opções em diversas línguas, e escolhi espanhol. Imediatamente, a cada passo da compra a máquina me dava instruções com uma voz estilo “google-tradutor”, com um forte sotaque italiano. Foram emitidos dois bilhetes, um até Savona, e outro até Taggia-Arma.

Estação Milano Centrale

Estação Milano Centrale

No meu primeiro bilhete constava a informação de não ter assento garantido, então supus que poderia sentar em qualquer assento. Me sentei e pouco tempo depois veio uma moça, me mostrou sua passagem e disse que o assento era dela. De fato, o numero da poltrona estava impresso no bilhete dela, então perguntei onde eu poderia me sentar, supondo haver um vagão específico ou algo assim, e ela disse que eu deveria esperar no corredor. Só então entendi o que tantas pessoas faziam em pé no corredor atrapalhando a passagem dos outros que se locomoviam pelo trem.

Após um bom tempo (saímos atrasados, claro) o trem começou a se mover e os passageiros no corredor abaixaram uns assentos dobráveis que ficam junto à parede. Fiz o mesmo, mas o tempo todo tinha alguém passando pelo corredor e todos nós levantávamos para a pessoa passar. E assim foi durante horas, uma longa viagem desconfortável em um trem lotado. Quando achei que não podia ficar mais tosco, eis que surge um vendedor com um carrinho que ocupava metade do corredor, e passa vendendo comes e bebes para os passageiros. Essa viagem foi estressante, mas o melhor a fazer era rir das situações inusitadas. E para piorar o sol começou a entrar pela janela e fiicarmos em um forno. E nem dava para abrir a janela e sentir um ventinho, pois o vagão é, segundo a empresa ferroviária, climatizado.

Cheguei em Savona e meu bilhete para o segundo trecho da viagem dizia apenas que ele é válido para embarque dentro de seis horas após minha chegada. Perfeito, tinha seis horas, mas qual trem poderia pegar? Os painéis da estação só mostravam o destino final de cada trem, e o único para Taggia-Arma, que sairia dentro de dez minutos, havia sido cancelado.

Vilarejo onde moro, visto do Golf Clube

Vilarejo onde moro, visto do Golf Clube

Me dirigi ao guichê de informações, onde os atendentes não costumam ser nada gentis, e me deixaram esperando em frente ao guichê por alguns minutos até resolverem me atender. Mostrei meu bilhete e a mulher se limitou a responder “14:14 plataforma 2”. Lá fui eu para a plataforma 2, antes comprei chá gelado e sanduíche em máquinas da estação, pois estava com fome. Enquanto comia, li o itinerário do trem: teoricamente estaria em Taggia-Arma após duas horas. Obviamente o trem atrasou.

Mas cheguei em Taggia. O congresso é em Castellaro, vilarejo vizinho, minúsculo, com três horários de ônibus por dia. A estação não tem guichê de informações e no ponto de ônibus também não havia informação alguma. A organização do congresso mandaria microônibus diversas vezes para levar congressistas, mas não havia informação alguma na estação.

Percebi dois senhores igualmente perdidos na estação e perguntei a eles, em esperanto, se eles iam para Castellaro. A resposta foi positiva, éramos três, logo apareceu mais um, quatro esperantistas em busca de Castellaro. Um deles tinha o telefone da Laura, presidente da comissão organizadora, e ela mandou o microonibus nos buscar.

Pelo caminho, paisagens lindíssimas do mediterrâneo. E o motorista dirigindo como louco por estradinhas estreitas com curvas fechadas à beira do abismo. No topo começamos a descida pelo outro lado do morro, com uma bela vista das montanhas, do mar, e do vilarejo de Castellaro. E chegamos ao Golf Club, sede do congresso. Na recepção encontrei a Manuela, que veio correndo me abraçar. Fui com outras pessoas para a opção barata de alojamento, fora do Golf Clube, estamos alojados em uma hospedaria em um vilarejo bem típico da Itália, com um monte de vielas entre sobrados de arquitetura inconfundível. De lá até o Golf Clube dá uns vinte minutos a pé e o caminho é lindo. No meu primeiro jantar na Itália encontrei o Paulo Sérgio Viana, um grande esperantista brasileiro, e é sempre um prazer reencontrá-lo.

Mediterrâneo visto do vilarejo

Mediterrâneo visto do vilarejo

Outro contraste entre Alemanha e Itália é com relação à tecnologia: na Alemanha ela é funcional, na Itália ela é futilidade. Por exemplo, estou fazendo um curso em uma sala de aula cheia de painéis com botões, display LCD etc para controlar a iluminação, o ar condicionado, o projetor, o som… mas nem os técnicos daqui sabem mexer nisso, e já tivemos aula com pouca luz, ou com o ar condicionado desligado (e aqui é muito quente). Outro exemplo são os banheiros: em um, menor, que usei, basta abrir a porta para as luzes se acenderem. Não há interruptor. Mas basta se aproximar do vaso sanitário para a luz se apagar. No outro banheiro, maior, a luz não acende automaticamente, é preciso dançar no corredor para ela acender, mas nesse pelo menos a luz demora alguns minutos para se apagar.

Tenho muita coisa para contar do Congresso Italiano de Esperanto e do curso que estou fazendo, mas falta tempo para escrever.

Uma resposta para “Itália”

  1. Tiago Soares says:

    Mi amas Italujo, kaj mi devos iri al Castellaro! 😀