Jerusalém

Escrito por em Aug 20, 2013 em rafael | 265 comentários

Após chegar em Jerusalém e encontrar outros esperantistas no albergue, ficamos esperando. De repente chegou o grupo que participou da excursão para Haifa (Houve três excursões antes do congresso, eu só participei da última, em Jerusalém). No grupo recém-chegado estavam muitos amigos, dentre eles Michael Boris, Long Zhang, chinês, Álvaro, que apesar de morar no Brasil eu não via desde o IJK passado no Vietnã, Véronique, que eu também não via desde o Vietnã, e ficamos todos conversando.

Eu e a Ĝojo, no terraço do albergue em Jerusalém

Eu e a Ĝojo, no terraço do albergue em Jerusalém

Amri Wandel, nosso guia em Jerusalém, se atrasou para nos encontrar, mas apareceu e graças a ele tivemos dois dias maravilhosos na cidade e aprendemos muito. Amri até poucas semanas atrás era um dos diretores da UEA, o conheci no ano passado no Vietnã, é uma pessoa muito divertida e além disso faz um bom trabalho em prol do esperanto. Profissionalmente ele é professor de astronomia na Universidade Hebraica de Jerusalém, mas ao longo desses dois dias descobri que ele também conhece de maneira bem aprofundada a história da cidade e a cultura de seu povo.

Começamos o passeio dando uma olhada em uma igreja ortodoxa, onde não pudemos entrar, e na prefeitura da cidade. Depois chegamos na cidade antiga, vimos os portões, as torres, as muralhas. Caminhamos entre comerciantes e chegamos à basílica do Santo Sepulcro, uma igreja impressionante, muito bonita, com salões e galerias que somem pelo subsolo da cidade, mas infelizmente muito barulhento devido aos batalhões de turistas entrando e saindo. Na entrada está a pedra onde se acredita que o corpo de Jesus foi colocado após a crucificação, em um salão está sua sepultura, e uma grande fila para entrar nela, e em outro recinto está a pedra onde a cruz foi fixada. Eis os três lugares mais cheios de turistas se acotovelando. É compreensível que a mesquita de Omar, diante da basílica, seja de acesso exclusivo para quem vai lá fazer suas orações, pois caso contrário os turistas a transformariam em uma feira de peixe, mas as mesquitas que ficam em locais mais tranquilos são abertas para visitação, inclusive chegam a convidar as pessoas para entrar.

Eu diante da pedra onde o corpo de Jesus foi colocado

Eu diante da pedra onde o corpo de Jesus foi colocado

Após o almoço tivemos um passeio essencialmente subterrâneo, pelo templo de Herodes. Em frente ao Muro das Lamentações há uma entrada para esse labirinto de túneis, e Amri nos guiou por eles, passamos por alguns lugares interessantes, vimos antigas cisternas, antigos salões e saímos. Depois fomos visitar a Cidade de Davi, e terminamos o dia nos molhando ao passear por um milenar aqueduto subterrâneo escavado na rocha. Amri inicialmente disse que a água chegava até a canela, mas depois descobrimos que há um trecho mais fundo, com água até perto da cintura. O túnel termina em uma antiga piscina, onde Jesus realizou um de seus milagres.

Nosso grupo em uma das galerias subterrâneas

Nosso grupo em uma das galerias subterrâneas

De lá uma parte do grupo seguiu de van até o albergue, enquanto outros, incluindo eu, seguiram a pé. Subimos uma ladeira em um bairro árabe, e passamos em frente a uma casa onde acontecia uma animada festa. Após a subida chegamos às muralhas, perto do Muro das Lamentações, e de lá seguimos pelas muralhas, e depois pelas ruas até o albergue. De lá fomos todos jantar em um restaurante, onde degustei uma das cervejas israelenses (muito boa). Já era madrugada quando fomos dormir.

No dia seguinte levantamos cedo e voltamos à cidade antiga. Amri, para economizar tempo, nos levou por outro caminho, secreto, como ele disse, raramente usado por turistas, e entramos no local onde ficava o templo de Salomão. Conhecemos o lugar onde Jesus teria derrubado as bancas dos comerciantes que profanavam um local sagrado, e vimos os monumentos islâmicos ao redor. Depois saímos por um bairro árabe, e o Amri parou para conversar com um comerciante que nos presenteou com exemplares do Corão.

Esperantistas diante da cúpula de ouro.

Esperantistas diante da cúpula de ouro.

Almoçamos nas proximidades da basílica do Santo Sepulcro. Ouvimos os sinos tocarem enquanto comíamos. Fizemos compras e depois seguimos de microonibus para o Museu de Israel, onde vimos os manuscritos do Mar Morto e muitos artefatos arqueológicos, com destaque para a exposição sobre Herodes, com ruínas de seus templos e artefatos diversos de sua época.

Retornamos para o albergue, pegamos nossas malas e seguimos para Nazaré. Chegamos meia hora antes da abertura do IJK, com a presença do prefeito da cidade, e reencontrei muitos amigos, dentre eles o Sergey, o Dror, a Juliana, o Maarten, o Allan e o Matheus. Também conheci novas pessoas, especialmente esperantistas daqui de Israel, além de diretores da TEJO com quem há tempos troco informações sobre o movimento. Durante a abertura um músico local se apresentou cantando em árabe, e depois o JoMo, músico esperantista que possui o recorde de cantar no maior número de línguas em um mesmo show, cantou em diversas línguas e, claro, não deixou de cantar em ídiche, que em sua opinião devia ser a terceira língua de Israel. Não demorou para o pessoal sair dançando. Mas ontem foi só uma degustação, o show do JoMo é esta noite.

 

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