Munique

Escrito por em Aug 3, 2013 em Blog, rafael | 265 comentários

Cheguei cansado em Munique após uma viagem noturna com conexão. Conforme as instruções do Lars, telefonei para o Fritz, esperantista responsável por me hospedar na cidade, e ele me disse que outro esperantista me esperava no fim da plataforma. Ao chegar no local combinado, um senhor muito simpático e tagarela me saudou em esperanto e se ofereceu para me mostrar a cidade. Deixamos minha mala no guarda-volumes da estação e saímos para visitar o centro histórico e tomar café da manhã.

Interior da catedral de Munique

Interior da catedral de Munique

A estação principal é muito bem localizada, e bastou sair dela para ver diversos prédios antigos e as torres da catedral. Caminhamos pela cidade que ainda dormia, e não é preciso andar muito para perceber que Munique é a principal cidade católica da Alemanha: em todo canto há uma igreja católica, um convento, uma praça ou rua com nome de santo. Visitamos algumas igrejas, e conforme as visitas seguiam eu ia aprendendo sobre estes locais, sua história e sua ligação com a cidade.

Tomamos café da manhã e continuamos o passeio. Cada local guardava uma história curiosa, e a partir das 9:00 as ruas, até então quase desertas, vão se enchendo de pessoas. Às 9:30 era uma multidão andando pelas ruas cheias de vida, turistas com suas câmeras fazendo turistices, pessoas indo para o trabalho, artistas de rua se apresentando para as pessoas, bares e cafés se enchendo de gente que bebia cerveja e conversava.

À tarde o Fritz foi me buscar de carro, mas de lá teve que voltar para o trabalho e me deixou em uma praça para eu descansar um pouco, ou mesmo passear pelas redondezas se quisesse. Na praça havia mesas e cadeiras para as pessoas comerem e conversarem. Atrás de mim um supermercado. Entrei para comprar algo para beber, pois estava muito quente. Visitar mercados é uma boa maneira de conhecer a cultura de um lugar, pois neles encontramos produtos típicos da região, coisas inusitadas, etc. Um produto incomum para nós que eu encontrei por lá foram medidores de embriagues para os motoristas saberem se podem ou não dirigir. Comprei uma cerveja, me sentei à sombra e fiquei bebendo e descansando. Cheguei até a dar um breve cochilo, até que o Fritz chegou e fomos para casa. A esposa dele, Vitória, é brasileira, e ambos se conheceram durante o primeiro Congresso Mundial de Esperanto ocorrido no Brasil, em Brasília, em 1981.

Centro de Munique

Centro de Munique

Tomei banho e dormi por algumas horas. Acordei pouco antes do jantar, e jantamos em casa. O Fritz me levou para passear à noite, fomos a um bar chamado Esperanto, depois passeamos por diversos lugares. A cidade tem monumentos belíssimos e museus com acervos incríveis, pena que em minha rápida passagem não deu tempo de conhecer muita coisa. Passamos em uma sorveteria que vende sorvetes deliciosos, e como gosto de experimentar novos sabores, experimentei o de pepino, e é gostoso.

No dia seguinte todos tinham que trabalhar, então tive que passear sozinho pela cidade. Acompanhei o Fritz até a estação de metrô, e lá ele me entregou um bilhete que a gente revalida na máquina toda vez que o tempo se esgota, e permite o uso de trens, metrô, ônibus e bondes. Aliás, os bondes de Munique dão um charme às ruas da cidade.

No começo fiquei um tanto perdido no metrô, pois são muitas linhas, nem todos os trens fazem a linha até o final, e a mesma plataforma costuma ser usada por mais de uma linha, algo incomum para nós brasileiros. Acabei embarcando na direção errada e fui parar em Messestadt Ost. Pelo mapa descobri que havia um parque nas proximidades, e aproveitei para visitá-lo. Um lugar muito bom para lazer, com pessoas correndo, pedalando ou mesmo tomando banho no lago, mas não tinha grandes atrativos para um turista, então voltei para o metrô e segui para a universidade, que fica no centro histórico.

Por ser uma cidade medieval, Munique era murada, e nesse passeio pelo centro vi alguns dos antigos portões da cidade, além de belas igrejas e prédios. Foram várias horas passeando sozinho, e isso também foi legal, pois desde minha chegada à Islândia estava acompanhado praticamente o tempo todo, e por mais que seja bom estar cercado de amigos, também é necessário ter um momento para si mesmo.

Caminhei por diversos lugares do centro e acabei chegando à catedral. Aproveitei para ir até a feira, que existe nas proximidades, para almoçar, pois estava com fome e tinham me falado muito bem dessa feira. No centro da praça, mesas e cadeiras tomadas por uma multidão que comia e bebia, e eu comprei uma refeição para mim, salsicha com batatas, e uma cerveja para acompanhar. Na Alemanha, assim como em muitos outros países europeus, é comum servirem batata como se fosse um substituto do arroz que comemos no Brasil. Me lembro que no meu vôo entre São Paulo e Amsterdã havia duas opções de almoço, frango com arroz e carne com batatas. Na Islândia também era comum comermos carne com salada ou batatas ou pão.

À tarde fui visitar o Parque Olímpico. As Olimpíadas fizeram um bem enorme para a cidade, e até hoje Munique recebe muitos turistas estrangeiros por causa dos jogos que a tornaram muito mais conhecida, e os turistas pagam para visitar o estádio olímpico, o centro de esportes aquáticos, o museu olímpico. Fora isso, o parque é uma bela área de lazer com um lago onde se pode andar de pedalinho ou fotografar os gansos nadando.

Um parque de diversões estava instalado ali, pois é verão e os europeus aproveitam para ir às praças e parques torrar sob o sol. Ao lado do parque muitas barraquinhas de comida e bebida. Como era meu último dia na cidade, resolvi aproveitar para tomar mais cerveja, e ao comprar me informaram que teria que pagar dois euros a mais pela caneca. Quando voltei para recarregar, recolheram minha caneca usada e me deram uma nova cheia de cerveja. Depois devolvi a caneca e recebi de volta o que havia pago por ela.

Hora de voltar para casa. No caminho dei uma passada rápida pelo museu da BMW. Após chegar em casa, tomei um banho, arrumei as malas e fui com o Fritz me encontrar com os esperantistas locais. A proposta era de uma palestra, mas como foi tudo arranjado de última hora e muita gente está viajando por causa das férias de verão, acabamos fazendo um bate-papo em um bar, onde jantamos. De lá segui para a estação para embarcar no trem para Milão.

Música anima as ruas

Música anima as ruas

O Lars, mesmo de férias na França, se preocupou muito comigo e fez de tudo para evitar problemas e dificuldades para mim. Os esperantistas locais que me receberam em suas cidades foram igualmente gentis e hospitaleiros, por isso sou muito grato aos que permitiram que minha estada na Alemanha fosse tão agradável. O Lars ainda teve o cuidado de me comprar um assento leito, para eu poder cruzar os Alpes dormindo. Acordei na Itália quando já era dia.

 

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