Primeira vez no inverno europeu

Escrito por em Jan 30, 2015 em rafael | 264 comentários

Foi a primeira vez que viajei para outro continente usando uma empresa brasileira, a TAM, e devo dizer que foi mais confortável do que viajar com empresas européias: boa distância entre as poltronas, boa comida, um bom vinho e além do cobertor e do fone de ouvido que toda empresa fornece, também ganhei uma bolsinha com itens de higiene pessoal e um par de meias, o que até então eu só havia ganho de empresas do oriente médio.

Chegamos em Frankfurt pontualmente. Quando o avião estava iniciando a descida cheguei a ver algumas cidadezinhas coberta de neve, mas Frankfurt não, estava tudo desbotado, as árvores sem folhas, mas neve não havia, embora estivesse bem frio e durante a aterrissagem tudo o que consegui ver foi um rastro, suponho que causado pela condensação do ar frio ao passar pela turbina quente.

De Frankfurt voei para Berlim. Dessa vez combinei de encontrar o Dennis na empresa dele. Estava frio, 4°C, não chovia, mas o chão estava molhado e de vez em quando sentia gotículas de água caindo do céu. Cheguei ao escritório e o Dennis me ofereceu um Clube Mate, uma bebida popular na Alemanha, mistura de mate com outras coisas. Fiquei um tempo navegando na internet até ele terminar o serviço e fomos embora de carro.

No caminho passamos em um lugar muito legal: a Fab Lab Berlin. uma oficina que tem um monte de ferramentas e máquinas para as pessoas usarem: tornos, fresadeiras, furadeira de mesa, impressoras 3D, usinagem a laser, uma mini-oficina de eletrônica… enfim, um lugar onde qualquer um pode criar o que quiser, e o Dennis foi lá para imprimir uma peça que ele projetou para um aparato que ele está desenvolvendo. O local também ministra cursos, um deles se chama “monte sua porópria impressora 3D”, que não só ensina as pessoas a fabricarem a impressora no Fab Lab, mas as faz colocar a mão na massa, e somente uma impressora 3D do Fab Lab foi comprada, as demais foram todas feitas lá mesmo, e são muitas! Gostaria muito que no Brasil tivéssemos algo parecido. Quem quiser conhecer o projeto basta acessar o site http://www.fablab-berlin.org/.

Chegando em casa fomos jantar. Dessa vez eu não era o único hóspede: também a mãe do Dennis estava lá, ela é muito simpática e conversamos um pouco. Ela mora em Hannover e normalmente leva duas horas de trem até Berlim, mas dessa vez levou três horas porque roubaram cabos de eletrificação da ferrovia, impossibilitando a passagem dos trens. E tem gente que jura que isso só acontece no Brasil.

Berlim de manhã: uma fina camada de neve cobrindo tudo

Berlim de manhã: uma fina camada de neve cobrindo tudo

Já estava ficando tarde e fomos dormir. Levantei às 7 da manhã para tomar café, arrumar minhas coisas e estar no metrô às 8, ao olhar para fora, ainda tudo escuro, tive uma imensa surpresa: tudo coberto por uma leve camada de neve. Foi a primeira vez que vi aquela massa branca cobrindo telhados, calçadas, carros… A temperatura era de 1°C. Eram quase 8 horas quando fui para a estação e no caminho vi a neve ao redor dos trilhos ferroviários, sobre os prédios e carros, cobrindo os parques.

Na rodoviária, notei que não havia nenhum ônibus com suporte para transportar bicicletas, também quem vai pedalar com esse frio? A neve ia derretendo aos poucos, às vezes ao pisar eu sentia o gelo derretendo sob meus pés. Embarquei para Poznań e saímos pontualmente. Ao longo de parte do trajeto era possível ver neve cobrindo tudo, mas ao chegar em Poznań já não havia neve alguma, se é que nevou aqui. Ao chegar tomei o bonde até o centro da cidade.

Neve sobre os veículos estacionados na rodoviária central de Berlim

Neve sobre os veículos estacionados na rodoviária central de Berlim

Dessa vez optei por dormir em um albergue, mais barato que o alojamento estudantil e com café da manhã incluído na diária. Estou em um quarto para seis pessoas, mas é baixa temporada e fiquei com o quarto só para mim, e dificilmente terei algum companheiro de quarto por esses dias.

Notícia boa: o câmbio está mais favorável para mim, o que me permite ter algum dinheiro a mais.

Notícia ruim: o restaurante mais barato que encontrei em Poznań fechou (e a comida de lá era uma delícia).

Duas coisas que chamam muito minha atenção: a relação dos poloneses com a comida e com as bebidas alcólicas: aqui ninguém come nem bebe (mesmo água) na rua, me disseram que pode até dar multa fazer isso, as pessoas comem nos restaurantes ou em casa, bebem nos bares ou em casa, e onde estou hospedado, ao contrário dos albergues onde me hospedei no Brasil, na Argentina, no Vietnã, na Alemanha, nos quais havia bar e os hóspedes passeavam com bebidas pelos corredores, aqui não se vende nada, nem de comer, nem de beber, há apenas uma cozinha com geladeira comunitária para os hóspedes prepararem suas refeições, mas bebidas alcoólicas só podem ser consumidas dentro dos quartos (e suponho que não podem ser guardadas na geladeira).

2 respostas para “Primeira vez no inverno europeu”

  1. Sempre muito bom ler seus relatos, Rafa! 🙂

  2. Ana Ribeiro says:

    Muito legal. Seria muito bom ter esse tipo de coisa no Brasil mesmo, ainda consigo ter acesso a bastante ítens de elétrica, eletrônica e micro eletrônica por ser do “rolê” dos laboratórios da universidade, mas tive que ganhar um prêmio internacional da Intel pra entrar no “rolê” e me contentar por muito tempo a fazer modelos matemáticos sem saber se funcionaria na prática. Se tivesse um hacker space aqui seria ótimo, mas a iniciativa privada brasileira é ruim e a pública é super difícil de entrar… Triste :'(