Primeiros dias do UK

Escrito por em Jul 23, 2013 em Blog, rafael | 265 comentários

Abertura do UK em Reykjavik. Esperantistas encheram o três andares do teatro.

Abertura do UK em Reykjavik. Esperantistas encheram o três andares do teatro.

Está difícil arranjar tempo para atualizar o blog, pois tenho feito muita coisa e o tempo é escasso. Na abertura do congresso eu saudei os congressistas em nome do Brasil. As principais autoridades do país estavam presentes na cerimônia, que lotou o teatro. Ontem, segunda-feira, de manhã ministrei, junto com meus amigos Veronika, Johannes e Julia, uma oficina sobre produção de programas radiofônicos para a internet, visando conseguir novos colaboradores para a Muzaiko, rádio internacional em esperanto com programação 24h por dia em esperanto, inclundo muita música. Este tipo de atividade é importante, pois muita gente tem vontade de colaborar conosco mas não sabe como, e nem todo mundo consegue aprender de forma autodidata pela nossa wiki. Há um ano a Muzaiko tinha colaboradores em três continentes, agora temos em cinco!

Outra rádio que enviou representante para este congresso foi a Rádio Internacional da China, a mesma que há pouco tempo lançou um concurso de fotografias sobre os congressos mundiais de esperanto. Eu me inscrevi neste concurso (é possível votar pelo site clicando no botão “baloti” em http://esperanto.cri.cn/98uk/ O meu álbum está intitulado “Ekskursoj tra vjetnamaj riveroj”). A responsável pelo concurso é a Ĝoja, que conheci pessoalmente aqui em Reykjavik.

Ontem tivemos outra reunião do conselho da UEA e a nova diretoria foi empossada. A equipe da Muzaiko em Reykjavik vai entrevistar todos os novos diretores, eu entrevistei o Martin Schäffer, novo Secretário-Geral, e quinta entrevistarei o novo presidente, Mark Fettes. A nova diretoria, assim como a anterior, possui membros de diversas nacionalidades, que vivem em diferentes países e realidades linguísticas, ao contrário do que costuma acontecer em organizações que usam o inglês como língua de trabalho, nas quais o nível de fluência no idioma acaba sendo determinante na escolha de altos cargos e dessa forma há um predomínio de moradores de países anglófonos nas diretorias.

Por falar em língua, no ano passado me surpreendi ao encontrar diversas semelhanças entre o vietnamita e o esperanto. Dessa vez o mesmo aconteceu. Basta viajar pelo mundo experimentando o esperanto dentro de diversas realidades linguísticas para conhecer seu valor. Infelizmente poucos têm essa oportunidade e muita gente que viaja pelo mundo prefere ignorar o esperanto com base em julgamentos a priori.

No vietnã, a semelhança do esperanto com a língua local se dá principalmente através da gramática, embora haja também diversas palavras parecidas entre as duas línguas, enquanto aqui na Islândia a semelhança entre o esperanto e a língua local é maior no que diz respeito à etimologia. Por exemplo, ao ler a palavra “Apoték” diante de um prédio, pude deduzir que era uma farmácia (Apoteko), ao ler “Banki”, deduzi ser um banco (banko). Algumas semelhanças não são tão evidentes, automóvel aqui é “bil”, última sílaba da palavra “aŭtomobilo”. Esquisito? É tão natural quanto a forma inglesa “auto”.

Ontem teve o banquete, mas não participei por ser muito caro. Teve um banquete alternativo a um preço barato, mas sem luxo, mas acabei me atrasando e fui jantar com um grupo de italianos em um restaurante que tinha uma sopa deliciosa. Depois fomos para o Ölstofam, um bar que dá desconto no preço da cerveja para os participantes do congresso, e aonde os esperantistas jovens costumam ir depois do congresso. Nos primeiros dias estava muito cansado, não bebi nada além de água, precisava dormir ou preparar alguma coisa para o dia seguinte. Agora vou ao Ölstofam toda noite, e lá bebemos a cerveja da casa, que ganhou dois prêmios internacionais recentemente.

Harpa, sede do 98° UK

Harpa, sede do 98° UK

Depois do Ölstofam fui para o baile do congresso. Nao foi tão animado quanto o do Vietnã, mas foi bem legal. O dj Leo Sakaguchi cuidou do som. Ele é um dos principais Djs esperantistas na atualidade, e tocou muita música não apenas em esperanto, mas também em outras línguas. No meio do show ele chamou o Kimo, um dos mais conhecidos músicos esperantistas, para uma participação especial, e o Kimo cantou um dos principais sucessos do Esperanto Desperado (Sola) para a gente.

O Kimo é muito divertido, ontem à tarde ele estava tocando sanfona na praça em frente à Harpa, prédio onde acontece o congresso, e um monte de pessoas estava dançando. Fui lá fotografar e não consegui: ele me fez dançar com a Siru, uma das organizadoras deste congresso, que conheci no ano passado em Hanói. Ele ensinava danças e a gente ia dançando.

Ontem as nuvens desapareceram do céu e vi o sol pela primeira vez. Junto com ele veio um barco brasileiro, chamado Pangaea, que está ancorado diante da Harpa, posso vê-lo daqui onde estou. É uma embarcação um tanto esquisita, provavelmente alguma expedição dessas que a tv mostra de vez em quando.

Pangaea, barco brasileiro diante da Harpa

Pangaea, barco brasileiro diante da Harpa

No domingo fizemos um passeio de quatro horas pela cidade, vimos a casa onde os presidentes dos EUA e da URSS se encontraram durante a guerra fria para negociar a redução de seus arsenais, visitamos o Museu Nacional da Islândia, fomos até a fonte de água quente que abastece a cidade e lá filmei um gêiser em atividade. Amanhã, quarta-feira, é o dia das excursões, e visitarei diversos lugares turísticos, incluindo cachoeiras e o grande Gêiser, que dá nome a todos os outros gêiseres do mundo.

Hoje também teve show de Ĵomart kaj Nataŝa, um dos principais grupos musicais esperantistas. É muito legal ter esse contato com artistas que sempre admirei, cujas músicas ouço há anos, e agora estou tendo a oportunidade de conhecer ao vivo, assistir aos shows, etc. Também é muito gratificante me sentar à mesa com grandes ativistas que fizeram história no movimento esperantista e que pedem minha opinião. Hoje participei de reuniões de três subcomissões da UEA: a Comissão Americana (ou Panamericana para quem acha que América são só os EUA), a Comissão de Relações Exteriores e a Comissão de Informação.

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