Primeiros dias em Hanói

Escrito por em Aug 2, 2012 em Blog, rafael | 265 comentários

Primeiros dias em Hanói

Texto escrito no dia 30 de julho. Só agora consegui publicar.

Desculpem-me por não estar colocando fotos no blog, tenho fotografado muita coisa bacana, mas a internet no hotel onde estou hospedado é muito lenta e vive caindo, de modo que até para postar texto é bem difícil. No hotel Meliá, onde está acontecendo o congresso, cobram 12 euros por dia dos participantes interessados em usar a internet de lá, que é excelente, mas por esse preço…

Após a primeira noite aqui, a Nguyen, recepcionista do hotel, nos propôs mudar para um quarto melhor e aceitamos: de uma apartamento sem janela no primeiro andar fomos para um apartamento no sexto com uma bela janela com vista para a cidade. Esse apartamento é um pouco maior e tem algumas coisas extras, mas o que mais me chamou a atenção é que no frigobar do outro quarto a cerveja Hanoi custava 20.000 dongues, enquanto neste custa 15.000!

Por falar em cerveja, ate agora nunca bebi no hotel, mas em restaurantes e bares já experimentei as cervejas Hanoi, Saigon e Tiger, todas muito gostosas. A comida vietnamita também me agrada muito. Nas primeiras refeições meu nariz escorria por causa do tempero picante, com muito gengibre e pimenta vermelha, além de diversos outros ingredientes, mas agora como e não tenho problema algum, e a comida daqui é deliciosa.

Meu primeiro almoço aqui em Hanoi foi em companhia de franceses, incluindo a Véronique, que conheci no Brasil em 2009, e que está hospedada no mesmo hotel que eu. Dois franceses resolveram pedir macarronada italiana ao invés da comida tradicional do país, e sofreram para comer spaguetti usando hashi. Ontem almocei com um pessoal da China, dentre eles um brasileiro que mora naquele país e trabalha com comércio exterior usando o esperanto como língua-ponte nas transações comerciais entre China e Brasil. Ele me disse que o uso do esperanto no mundo dos negócios é comum por lá, o que condiz com a constatação do Gabriele Corsetti, italiano que mora na China, de que lá muita gente fala esperanto, porém com o objetivo de ganhar dinheiro somente, sem ter aquela paixão característica dos esperantistas brasileiros, que apóiam o esperanto por idealismo e não por questões práticas.

Ontem fomos para a abertura do Congresso, que foi maravilhosa, com belas apresentações de música e dança típicas do país em um auditório enorme da Universidade de Tecnologia de Hanói, que lembra muito as universidades federais brasileiras, exceto pelo belos jardins. Durante a cerimônia, o presidente da Associação Mundial de Esperanto (UEA), o linguista indiano Dr. Probal Dasgupta, leu uma mensagem de Noam Chomski, seu amigo pessoal, o que me deixou um tanto surpreso. Depois me surpreendi mais ainda com o belo discurso da vice-presidenta do Vietnã, lembrando que Ho Chi Minh, o maior herói nacional do país, aqui carinhosamente chamado de Tio Ho, também foi o primeiro esperantista vietnamita. Ela reafirmou em seu discurso que o esperanto é uma língua muito querida no país e tem apoio oficial do governo. Depois uma pequena mensagem do presidente do país também foi lida, e a UEA foi condecorada com a maior honraria ofecerida pelo governo vietnamita. Por fim, representantes dos diversos países saudaram os congressistas, e o Paulo Nascentes, nosso representante no conselho da UEA, me indicou para falar em nome do Brasil, o que fiz com muita honra.

À tarde fui convidado para integrar uma delegação da UEA na cerimônia de plantio de uma árvore no Parque da Amizade. Nossos ônibus seguiram escoltados por batedores da polícia em uma viatura enfeitada com bandeiras (identifiquei a do esperanto no lado esquerdo e suponho que a do Vietnã estivesse do lado direito). Pelo caminho o trânsito denso ia abrindo espaço para nossa delegação e as pessoas nas ruas nos olhavam com curiosidade, muitas acenavam e demonstravam respeito. Ao chegar lá, tudo muito bem organizado, e após a cerimônia viemos rapidamente para o hotel Meliá, mesmo com o trafego denso do fim da tarde, pois tínhamos batedores e o trânsito dava lugar a nós. Pelo caminho, guardas paravam o trânsito nas esquinas para a gente passar, e os veículos daqui apresentam grande facilidade de manobra, pois não existem veículos enormes como no Brasil, todo o transporte é feito por veículos leves e pequenos, principalmente motos, muitas delas eletricas, e quase não se vêem caminhões, mesmo os ônibus são todos pequenos. É interessante que a cidade é silenciosa, sem aquele barulho do trânsito brasileiro: veículos elétricos não fazem barulho, só se ouvem buzinas de tempo em tempo, e mesmo os veículos a diesel aqui são muito silenciosos, talvez por serem pequenos e novos. O trânsito se baseia no princípio do “eu te vejo e você me vê”, e quando o motorista percebe que não está sendo notado por alguém, buzina para comunicar sua presença. Ninguém dirige em alta velocidade e há um grande respeito pelos outros, inclusive pelos pedestres.

À noite fui jantar com o pessoal da TEJO (Organização Mundial da Juventude Esperantista) e da organização do congresso da juventude (IJK) que acontecerá na próxima semana. A TEJO tem uma visão muito positiva do trabalho que desenvolvemos no Brasil e isso me deixou contente. Depois participei de um seminário com meus amigos italianos Francesco Maurelli (da empresa Kosmos, que desenvolve projetos esperantistas) e Michael Boris Mandirola (vice-presidente da TEJO). Minha apresentação foi sobre a minha experiência na Rio+20, visando discutir estratégias para desenvolver o movimento esperantista.

Além disso, a juventude esperantista vietnamita (VEJO) me convidou para ser mestre de cerimônia na abertura do IJK na próxima segunda-feira. À noite participei de um banquete no Hotel Meliá e depois do baile. Amanhã visitarei dois vilarejos de artesãos próximos a Hanói: em um fazem pinturas tradicionais do país, e no outro produzem a cerâmica Bát Tràng, tradicional por aqui, e belíssima.

3 respostas para “Primeiros dias em Hanói”

  1. LUIZ ALBERTO DE OLIVEIRA COELHO says:

    tre interesa priskribo. dankon!

  2. Dankon pro la partigo, Raphael. Mi sentis je viaj vortoj, konante viajn impresojn, kvazaŭ mi ankaŭ estas tie, en Hanói.
    Brakumon!
    Sergio
    El Londrina – PR

  3. Osias Ribeiro says:

    Eu casei-me com uma vietnamita, muito linda e carinhosa que eu conheci no Japão onde moro há mais de vinte anos. Bem, estou visitando agora 04/2013 o Vietnam, um pais belíssimo com uma história de mais de dois mil anos. Vou embora com a vontade de ficar mais tempo!!. Mas se Deus quiser voltarei aqui para saber mais, afinal agora tenho um pedacinho do Vietnam dentro de mim. Abraços ….