Retorno de Poznań para o Brasil

Escrito por em Oct 3, 2014 em rafael | 265 comentários

Na segunda-feira tive a manhã livre, pois o ônibus para Berlim só sairia às 13:30. Levantei cedo, tomei café e fui fazer compras: meu retorno à Polônia será no inverno, quando faz muito frio, e as roupas que uso no inverno brasileiro são as mesmas que eu usei no verão polonês. Ao lado do albergue há um brechó que vende roupas de segunda mão vindas de Londres, e me informaram que o estoque chega no fim de semana, de modo que segunda-feira é o melhor dia para comprar.

Centro histórico de Poznań em uma manhã de segunda

Centro histórico de Poznań em uma manhã de segunda

Eram quase nove horas quando cheguei lá e a loja estava fechada. Uma moça esperava na porta. Descobri que a loja abre às dez, então passeei um pouco pelo centro histórico da cidade e voltei às cinco para as dez. A fila estava grande, um monte de gente esperando a loja abrir. Dez em ponto, as portas se abriram e a multidão entrou. As roupas são organizadas por tipo e tamanho, mas a classificação por tamanho é feita “de olho”, isto é, roupas para bebês, crianças, adultos.., e uma blusa M pode ficar ao lado de uma GG. Entre as blusas e jaquetas, encontrei algumas muito boas com pequenas avarias: um botão despregado, um bolso furado, coisas assim; até poderia valer a pena comprar e contratar uma costureira para arrumar, mas preferi continuar pesquisando, e no fim encontrei duas excelentes blusas semi-novas em perfeito estado. Realmente pesquisar vale muito a pena. As comprei e agora estou preparado para enfrentar o inverno polonês.

Uma coisa que me chamou a atenção no brechó foi não ter informação alguma sobre preços. Quanto custariam as blusas? Não valeria a pena se fosse muito caro. Por fim vi uma balança, e as pessoas levavam roupas para pesar. Sobre ela um cartaz dizendo que era para uso dos clientes. Pesei minhas roupas e a balança mostrou o peso, o preço por quilo e o preço do produto. Gostei do esquema da casa e comprei duas blusas por um terço do preço que um amigo pagou por uma nova.

No brechó também observei algo interessante, e um tanto bizarro para mim: lá vendem cuecas, calcinhas e sutiãs usados, e vi muita gente enchendo a cestinha com esse tipo de produto.

Voltei ao albergue, guardei minhas coisas e fui almoçar com o Dmitri, um esperantista holandês. Fomos a um pequeno restaurante onde comi algumas vezes, e do qual gostei muito, além de ser o mais barato que encontrei. Este restaurante possui um certificado do governo atestando que é um autêntico restaurante polonês, servem somente comida típica e normalmente a gente pede dois ou três pratos (do tipo, uma sopa, uma salada, um prato principal, etc.). Tomei uma sopa e comi um prato de pierogues de espinafre. Depois do almoço tomamos um café e nos despedimos. Ele foi para o aeroporto e eu tinha que pegar o bonde para Górczyn.

Linhas de bonde em Poznań. Me hospedei em frente a uma das poucas vias de mão única no centro do mapa

Linhas de bonde em Poznań. Me hospedei em frente a uma das poucas vias de mão única no centro do mapa

A viagem de bonde foi uma aventura: a linha 5, que eu precisava pegar, pára diante do albergue onde estava hospedado, mas no sentido Stamil, isto é, vindo de Górczyn. Só descobri isso depois de um bom tempo esperando o bonde, e saí correndo com a mala em busca de outro ponto onde pudesse embarcar no sentido correto. Acabei encontrando o prof. Ivan Colling, da UFPR, com sua esposa, ambos passeando diante do castelo. Ambos acabaram de terminar o curso de Interlinguística e Ivan pretende fazer doutorado em Poznań. Segui em direção a uma parada próxima a Jowita e encontrei a minha professora Katalin Kováts com suas malas indo pegar táxi para o aeroporto. Trocamos algumas palavras, ela me indicou a direção do ponto de bonde, e lá fui eu correr de novo. Cheguei ao ponto correto depois de andar muito (poderia ter andado um quarteirão apenas, mas como não conhecia o trajeto, acabei indo até um ponto mais distante), e cheguei a pensar em desistir, pois já eram 13:15 e o bonde demora 13 minutos, entretanto decidi arriscar. Cheguei em Górczyn às 13:29 (adoro a pontualidade do transporte público em Poznań) e saí correndo com a mala até o ponto do Polskibus. Consegui embarcar.

Um "selfie" diante do Portão de Bandemburgo

Um “selfie” diante do Portão de Brandemburgo

A viagem para a Alemanha foi tranquila, cheguei em Berlim antes do horário previsto, pois o tráfego fluiu bem, e da rodoviária segui para a casa de meu amigo Dennis, que me hospedou por uma noite. encontrar o endereço não foi fácil, pois o número da casa fica de frente para o pátio do condomínio, e não de frente para a rua, mas no fim deu tudo certo.

No dia seguinte fui de carro com o Dennis até seu escritório, que é próximo ao centro da cidade, deixei minhas coisas e fui passear. Ele ainda teve o cuidado de imprimir para mim um mapa do centro e marcar sobre ele um itinerário com diversas possibilidades de passeio. Segui o trajeto recomendado e visitei o parlamento alemão (só por fora, pois havia uma grande fila para visitação interna), o portão de Brandemburgo, o Memorial aos Judeus e diversos lugares interessantes, mas basicamente o que fiz foi bater perna pela cidade. Depois de almoçar com Dennis em um restaurante, fui para a ilha dos museus e aproveitei a tarde para visitar o Pergamon. De lá segui para o escritório do Dennis, peguei minhas coisas e fui para o ponto de ônibus, e de lá para o aeroporto Berlin-Tegel, que será desativado após a inauguração do novo aeroporto Brandemburg.

A Ilha dos Museus de Berlim, com o Museu Bode em destaque

A Ilha dos Museus de Berlim, com o Museu Bode em destaque

Após despachar minha mala senti fome, e ainda faltava uma hora para o embarque, mas como há poucas opções de alimentação neste aeroporto, demorei mais de meia hora na fila para comprar uma salsicha com batatas fritas em um vagão de trem transformado em lanchonete que fica diante da entrada do aeroporto, acho que deve ser algum tipo de opção popular, pois os preços são similares aos do centro da cidade, enquanto dentro do aeroporto só se vende alimentos embalados e a preços mais caros. De lá voei para Madrid, onde cheguei tarde da noite.

Karina, minha colega, também brasileira, no curso em Poznán, veio no mesmo vôo, e fomos juntos de metrô até Plaza Elíptica, no sul da cidade, para dormir na casa do Félix, nosso colega de curso, que gentilmente nos hospedou e ainda nos presenteou com exemplares de Dom Quixote em Esperanto. Chegamos de madrugada à casa dele, dormimos um pouco e de manhã, após o café, seguimos de ônibus até a cidade. Nos despedimos do Félix, que foi trabalhar, e fizemos um rápido passeio pelo centro histórico antes de embarcar no metrô. Acabamos chegando em cima da hora para o embarque, mas deu tudo certo.

3 respostas para “Retorno de Poznań para o Brasil”

  1. Aparecida Araujo says:

    Gostei muito de ler seu relato. Parabéns e sucesso nos seus estudos. Abraços/Aparecoda

  2. Barbara says:

    Oi Rafael! Muito legal o seu post!!
    Estou indo viajar pra Polonia e fiquei na duvida se vou de Polskibus de Varsovia pra Cracovia. Voce sabe dizer se houve cobrança quanto ao limite de babagem? Porque devo estar com uma mala que excede 20kg…
    Obrigada, beijao!

    • Rafael Henrique Zerbetto says:

      Oi Barbara! Em Berlim e Poznań eu nunca vi balança, simplesmente etiquetaram as bagagens e colocaram no bagageiro. O controle de peso da bagagem, pela minha experiência, se baseia na confiança, mas o contrato deixa claro o direito da companhia cobrar pelo excesso. Na prática essa cláusula tem o objetivo de evitar abusos, se passar um pouquinho de 20 kg acho que não tem problema, mas se passar muito de 20kg o funcionário que coloca as malas no bagageiro vai sentir que há muito peso e aí pode ser que se tome alguma providência. Beijão e boa viagem!