Rolezinho em Berlim

Escrito por em Mar 15, 2015 em rafael | 264 comentários

Demorei para escrever sobre como terminou minha segunda ida à Polônia para estudar. Nos últimos dias em Poznań tive aulas de Comunicação, com a profa. Ilona Koutny, e de Gramática do Esperanto, com o prof. Cyril Brosch. Este último pesquisa sobre o Esperanto na universidade de Leipzig, e ao longo da semana acompanhou as aulas e gravou tudo, para usar como material de pesquisa em seu trabalho.

À noite, na quinta e na sexta, fui jantar em um bar em companhia de colegas de curso e graças ao bom papo não vimos o tempo passar e acabamos indo dormir tarde. Após a semana de aulas, tivemos a excursão para Toruń, já relatada.

Com colegas de curso no Bar a Boo

Com colegas de curso no Bar a Boo

Ao voltar de Toruń, ainda no trem, comecei a sentir minha garganta seca e dolorida. Desde então não parei de sentir incômodos típicos de um resfriado, só fui me curar depois de uma semana no calor do Brasil. Em Poznań esfriava cada dia mais, podia-se ver as camadas de neve acumulada nos parques, cada vez mais grossa, e eu fiz a besteira de comprar passagem para o ônibus das 4:30, saindo de Poznań de madrugada em pleno inverno.

Primeiro tive que ficar de madrugada no saguão do albergue esperando dar a hora para sair. Desisti de pegar o transporte público noturno e solicitei um táxi, pois estava nevando, e caía muita neve. No caminho para o ponto de ônibus não se via a estrada, quanto mais andávamos mais a calçada e a rua viravam uma coisa só, e a neve caindo atrapalhava a visibilidade. Ao caminhar do táxi até um prédio onde me abriguei, a menos de cinco metros, fiquei com as roupas cobertas de neve. Os passageiros iam chegando pouco a pouco, e por fim chegou o meu ônibus, justamente no momento em que, para nossa sorte, parou de nevar (o ponto não é coberto).

Finalmente consegui dormir um pouco. Acordei em Berlim. Chegamos meia hora adiantados. Não consegui acessar a internet para tentar contactar esperantistas de Berlim. Um deles havia me contactado no dia anterior propondo nos encontrarmos para um café, mas só fui ver a mensagem dele ao chegar no Brasil. Tinha um dia livre em Berlim e queria aproveitá-lo. Mas como? Decidi ir até a estação central de trem e colocar minha mala no guarda-volumes, ficando livre para passear. Então segui a pé até a ilha dos Museus e dessa vez visitei o Neues, famoso pelo busto da Nefertiti, mas que tem muitas atrações interessantes além dela: múmias e sarcófagos, artefatos de diversas civilizações antigas, um acervo realmente impressionante.

Berlim, próximo ao Bundestag. As cruzes à margem do rio marcam o local onde ficava a divisa entre as duas alemanhas.

Berlim, próximo ao Bundestag. As cruzes à margem do rio marcam o local onde ficava a divisa entre as duas alemanhas.

Após horas no museu, decidi procurar alguma opção rápida e barata para comer no caminho até a estação. Acabei comprando um kebab que estava delicioso. Me sentei em uma praça e tirei as luvas para comê-lo, pois estava com muita fome, mas após comer metade, o frio era tanto que não aguentava minhas mãos congelando e guardei o lanche para colocar novamente as luvas. Comi o resto do kebak dentro da estação, onde é mais quente e não tem vento. Aliás, estava ventando muito naquele dia, às vezes parecia que o vento iria me carregar. Divertido, mas não tanto para quem está resfriado.

Um fato triste a relatar é que, no caminho até a estação, passei por uma ponte e nela várias jovens alemãs me abordaram pedindo dinheiro para obras sociais. No ano passado, minha primeira vez em Berlim, isso também me aconteceu, no caminho do Bundestag para o Portão de Brandemburgo, e naquela ocasião uma policial viu a mulher me abordando, me advertiu que aquilo é ilegal na Alemanha e deu uma dura na mulher. O fato é que pedir dinheiro para turistas estrangeiros, normalmente fingindo ser de uma ONG que cuida de órfãos ou deficientes físicos, está se tornando cada vez mais comum em Berlim, e é triste ver jovens sem perspectivas, tendo que se submeter a isso para ter o pão. Desde minha primeira visita à Europa, em 2013, percebo que a situação econômica do continente melhorou um pouco, mas ainda é crítica.

Entre o Bundestag e a Estação Central (ao fundo) não há calçada!

Entre o Bundestag e a Estação Central (ao fundo) não há calçada!

Peguei minha mala e fui para o ponto do ônibus. Cheguei no aeroporto mais cedo do que previa, então fui ao banheiro e aproveitei para reorganizar minha mala. Me surpreendi ao constatar que no banheiro havia uma máquina de vender artigos de sex-shop. Pensei “por que raios uma máquina dessas bem no aeroporto?”, mas enfim… Acabei encontrando a Karina, minha amiga e colega de curso, e descobrimos que viríamos nos mesmos vôos. Cheguei com sede na sala de embarque, mas não me dispus a pagar três euros por uma garrafinha de água. Não havia bebedouro em lugar nenhum.

O vôo da Air Berlin atrasou cerca de meia hora, e como era uma conexão apertada em Frankfurt para pegar o vôo da TAM para o Brasil, foi um sufoco chegar a tempo para o embarque, tivemos que andar muito e pegar um trem interno do aeroporto, além das filas para raio-x e imigração, mas ao entrar no avião descobri que uma comissária da TAM tinha em mãos uma lista com os nomes dos passageiros que vinham de Berlim e ia riscando os nomes dos que chegavam para não deixar ninguém para trás. Saímos atrasados, mas chegamos no Brasil antes do horário previsto para a aterrissagem.

 

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