Segunda parte do IJK em Nazaré

Escrito por em Aug 31, 2013 em rafael | 265 comentários

Estou de volta ao Brasil, após um bom tempo sem dar notícias. A segunda parte do IJK foi mais corrida, tivemos uma excursão que durou um dia inteiro, viajamos a um vilarejo para ver um festival de dança árabe, e tivemos que preparar a noite brasileira, que encerrou com chave de ouro o congresso em Israel. Acabei ficando sem tempo para escrever durante os últimos dias do IJK, e logo após o término do congresso começou uma viagem de quatro dias pelo país, acampamos no deserto, passamos os dias fazendo trilhas e à noite estávamos muito cansados, além de não termos internet wi-fi disponível. Assim sendo, não consegui atualizar o blog nem dar sinal de vida aos amigos e parentes no Brasil, mas o Amri diariamente publicava fotos no Facebook através de internet 3G, então creio que algum sinal de vida foi dado, ainda que não pelo blog.

A segunda parte do IJK foi, como já disse, cansativa. Durante a excursão pós-IJK não teríamos como lavar nossas roupas, na escola não havia lavanderia e nas imediações era possível somente contratar serviço de lavanderia em hotéis a preços caríssimos. Assim, tivemos que improvisar, e não apenas eu, mas muitos esperantistas lavaram suas roupas na pia do banheiro usando o sabonete líquido do banheiro como sabão, e secávamos nossas roupas sobre cadeiras ao lado da quadra de esportes. O ar seco de Israel é ótimo para secar roupas!

Mesquita no vilarejo dos ĉerkestoj

Mesquita no vilarejo dos ĉerkestoj

Uma das noites teria uma programação especial: veríamos um festival de danças árabes em um vilarejo de ĉerkestoj, imigrantes de uma região da Rússia. Quando chegamos no local ficamos sabendo que o festival havia sido cancelado, pois muitos bailarinos eram residentes em países vizinhos e não conseguiram visto para entrar em Israel. Já que estávamos lá, os organizadores do IJK improvisaram um programa: degustar iguarias locais em um restaurante e depois passear pela cidade. Após a refeição, fomos informados que alguns bailarinos, residentes em Israel, ao saber que havíamos ido até lá para o festival, decidiram improvisar uma rápida apresentação para nós, bem simples, sem trajes típicos, mas com muita alegria. Fomos passear pelo vilarejo enquanto eles se preparavam.

Bailarinos se apresentando para nós

Bailarinos se apresentando para nós

Nas casas, era comum ver inscrições na língua dos ĉerkestoj, que usam o alfabeto cirílico (que aliás é comum em Israel, devido à grande quantidade de imigrantes russos). A arquitetura do vilarejo é bem peculiar, e pelas ruas víamos gatos e mais gatos. Um filhote de gato gostou do nosso grupo e nos seguiu, depois veio um cachorro, que também gostou da gente e nos acompanhou. Ele e o gato não brigaram.

O passeio terminou na mesquita da cidade, muito bonita e iluminada. Estava vazia, entramos e visitamos tudo, observando as regras do local, afinal ele é sagrado para os muçulmanos, e mesmo quem não pratica a crença deve ao menos respeitá-la, não custa nada tirar os sapatos e cobrir os ombros. Nesta mesquita há duas entradas, uma para homens e outra para mulheres, e os tapetes não indicam a direção de Meca, ela é indicada por um obelisco.

No outro dia tivemos uma excursão que durou o dia todo. Primeiro visitamos um vilarejo onde vivem muitos druzos. Os druzos são um povo muito interessante, trata-se de uma comunidade étnico-religiosa que incorporou elementos de diversas correntes teológicas. Sua origem é muito antiga e eles são muito reservados, não gostam de se expor, obviamente não gostam de ser fotografados, e costumam rejeitar visitantes em seus locais sagrados, mas nós, esperantistas, conseguimos visitar um dos locais sagrados dos druzos. No vilarejo, logo que chegamos, estava acontecendo uma festa de casamento islâmico (que dura vários dias), e o Sergey se apressou em dizer para não nos preocuparmos com os tiros, era só uma festa de casamento. Na verdade não eram tiros, mas rojões. Na praça, muitas pessoas dançavam alegremente para comemorar o acontecimento.

Monumento no vilarejo druzo

Monumento no vilarejo druzo

Depois visitamos Safed, a cidade mais alta de Israel, e considerada uma das quatro cidades sagradas para os judeus (as outras são Jerusalém, Hebron e Tiberias), passeamos pelas ruas, aproveitamos o clima agradável a 900 m de altitude. Uma característica interessante de Safed são os belos mosaicos ornando portas e muros.

Para terminar o dia, fomos conhecer o rio Jordão, mais especificamente o local onde se acredita que Jesus foi batizado. Infelizmente o local parece um spa, com lojas chiques vendendo produtos de beleza, lembrancinhas da Terra Santa a preços bem mais caros do que o que se paga em outros lugares, e um monte de futilidades. O acesso ao rio é gratuito, mas é permitido molhar apenas até a canela, quem deseja se banhar no rio deve alugar uma túnica para isso, ou comprar sua túnica para levar de lembrança junto com um certificado. Ao entrar no rio, porém, tem-se uma agradável surpresa: pequenos e gulosos peixes massageiam nossos pés na tentativa de abocanhá-los com suas boquinhas minúsculas.

Maarten, Long Zhang, Ivan, Ĝojo, eu e Álvaro

Maarten, Long Zhang, Ivan, Ĝojo, eu e Álvaro: parte do elenco do casamento caipira e organizadores da quadrilha

No último dia do IJK tivemos a noite brasileira, com um casamento caipira e uma quadrilha. Para o casamento, o Long Zhang, chinês, foi o pai; a Irina, russa, a mãe; a Ĝojo, vietnamita, foi a noiva; o Ivan, colombiano, foi o noivo; eu fui o padre e o Eran, israelense, foi o policial. O público se divertiu muito, e depois disso fomos dançar quadrilha. Dancei com uma russa chamada Eva, que estava participando do IJK pela primeira vez. Após envolvermos todos na dança, chegou o momento triste para os participantes do congresso, mas ao mesmo tempo feliz para nós brasileiros: a cerimônia de encerramento do IJK, com a entrega da bandeira oficial do evento para os organizadores da edição seguinte. Chamei todos os brasileiros para curtirmos juntos este momento, e nos abraçamos enquanto Sergey trazia a bandeira na nossa direção. Me lembrei de como foi emocionante este momento em Hanói, no ano passado, quando as meninas começaram a chorar abraçadas, e de como me juntei a esse abraço coletivo com o Michael Boris, a Manuela, o Sergey, o Pawel… Em Israel ninguém chorou, nós brasileiros estávamos felizes, a bandeira em breve estará na Associação Cearense de Esperanto, e no ano que vem chegará o momento em que ela nos deixará.

Entrega da bandeira do IJK à delegação brasileira logo após a quadrilha

Entrega da bandeira do IJK à delegação brasileira logo após a quadrilha

 

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