Viagem para a terra do Tio Ho

Escrito por em Jul 28, 2012 em Blog, rafael | 265 comentários

Viagem para a terra do Tio Ho

Saí de Campinas no dia 25 à noite, chegando em Cumbica por volta das 22:00. Havia muita gente naquele aeroporto imenso e achei que seria impossível encontrar os demais esperantistas que viajariam no mesmo vôo que eu. Porém, esperantistas, me parece, brotam do chão, eles surgem de onde menos se espera, e não demorou até eu ser encontrado por duas esperantistas de Brasília que, assim como eu, estavam procurando o pessoal do Rio de Janeiro.

Também não demorou até aparecerem os demais, e de repente éramos um grupo imenso para uma viagem como essa. Creio que éramos cerca de 20 pessoas. O Paulo Nascentes, representante da Liga Brasileira de esperanto (BEL) no conselho da Associação Mundial de Esperanto (UEA), me pediu para discursar representando o movimento esperantista brasileiro na abertura do congresso. Aceitei com muita honra.

Embarcamos de madrugada para o Catar. Ao contrário do que eu imaginava, o avião não estava cheio de pessoas do oriente médio, mas de chineses indo pegar conexão, assim como nós. Na viagem de 14 horas tive a vantagem de ter duas poltronas lívres ao lado da minha, o que me possibilitou deitar sobre elas e dormir por algumas horas. Quando acordei estávamos no meio do caminho entre Brasil e África. Sobrevoamos diversas cidades daquele continente, algumas bem conhecidas, como Cartum, mas o que geralmente dava para ver da janela eram nuvens cobrindo tudo, de vez em quando uma floresta cortada por rios, raramente uma grande cidade.

Já era noite quando cruzamos o mar vermelho e depois pousamos em Doha. A conexão foi rápida, saímos de um avião para subir em outro e encarar mais 7 horas de viagem até Bangcoc, onde fizemos escala, e em seguida mais duas horas até Hanói. Em Doha ficamos sabendo que nossa samideana Silvia Rotemberg, de Buenos Aires, estava viajando nos mesmos vôos que nós, e no aeroporto de Hanói encontrei o Michael Boris Mandirola, vice-presidente da TEJO (Organização Mundial da Juventude Esperantista), que fez conexão em Doha, pegando o mesmo vôo que a gente. Além de nós, outros esperantistas foram aparecendo.

Quando desembarcamos fomos recepccionados por um grupo de esperantistas locais e uma moça muito gentil e simpática nos levou para trocar nosso dinheiro por moeda local (agora sou milionário!) e depois arranjou um táxi para a gente (ou seja, negociou um preço que turista estrangeiro dificilmente consegue). O nome dela em esperanto é Ĝoja, que significa Feliz. Fomos ao Hotel Meliá, onde encontramos outros esperantistas, e em seguida vim para o Hotel Camellia, onde estou hospedado. Tomei banho em um chuveiro esquisito com uma caixa enorme para aquecer a água.

Na viagem experimentei muitas comidas diferentes, incluindo frutas do Catar e pratos árabes e tailandeses. No frigobar tem cerveja Bia Ha Noi pelo dobro do preço de uma garrafinha de água, mais tarde vou experimentar.

Hanói, assim como Doha e Bangcoc, está muito quente. Deu uma pancada de chuva, bem rápida e forte, e mesmo assim está quente e abafado, mais ou menos como nos dias mais quentes do verão brasileiro, só que aqui o céu estava claro quando entrei no Hotel, dentro de poucos minutos veio a chuva e depois ficou uma chuvinha bem leve.

Saí para jantar e fui a um restaurante onde experimentei a culinária vietnamita. Comi uma sopa de caranguejo com milho doce e um outro prato à base de frutos do mar com camarões enormes e um tempero espetacular, com um cheiro delicioso, mas que deixou meu céu-da-boca adormecido por um bom tempo. E esse prato foi acompanhado de arroz com abacaxi e molho agridoce. Quando voltei para a casa já havia parado de chover.

Atravessar a rua em Hanói é uma aventura. Ao sair do aeroporto, o Michael estranhou o modo dos vietnamitas dirigirem, sem respeitar as regras básicas do trânsito, mas eles se entendem, geralmente dão uma buzinadinha antes de executar uma manobra. Para ir para o restaurante tive que atravessar a rua, o que não é fácil por aqui: o sinal fechou para os carros e eu estava atravessando na faixa, mas os carros não paravam, simplesmente desviavam de mim e dos outros carros para os quais o sinal estava verde, cada um buzinando para chamar a atenção dos demais. O semáforo parece não ter serventia, mas existe em uma cidade que não precisa dele: desenvolveu suas próprias regras, que vou descobrindo aos poucos. E por aqui também é comum usar a calçada como estacionamento de moto.

2 respostas para “Viagem para a terra do Tio Ho”

  1. Leandro says:

    Fantástico o seu depoimento, Rafael. Parabéns.

    Leandro

  2. Maria Luiza Rocha says:

    Que delícia ler o seu depoimento Rafael. Adorei.Obrigado.